O ano em que, sim, eu consegui! E ganhei um presente…

Há alguns anos eu tenho um ritual próximo ao meu aniversário: primeiro, faço uma lista de motivos pelos quais sou grata naquele ano, coisas que aconteceram, conquistas que tive, pessoas que foram importantes, coisas assim (contei como foi o deste ano no Insta); depois, defino o meu objetivo pessoal para o meu ano, ou seja, o que eu quero alcançar, evoluir em mim mesma, que Julie eu quero ser naqueles próximos 12 meses de vida. E eu sempre sei que o que eu peço eu nem sempre acabo conseguindo alcançar 100%, mas sempre melhoro, mas sempre a custas de um pouco de perrengue, porque senão não seria a minha vida, hahaha!

Pois acontece que 12 meses atrás, no dia 18 de agosto de 2019, quando completei 38 anos, eu decidi que queria ser leve. Ser leve, ter leveza, no agir, no sentir, no falar, do me relacionar, no viver mesmo, sem ser pesado, só leve. E como não podia deixar de ser, a melhor forma de evoluirmos em algo é justamente quando o calo aperta e fica mais difícil ser aquilo que queremos. Assim que… já entendeu, né? Foi um ano LOKO, para dizer o mínimo. E se você me acompanha aqui ou nas redes sabe o quanto…

Aconteceu de tudo!

O meu filhote João, aos 10 anos, foi morar com o pai em outro país, e pela primeira vez eu me vi como mãe sem ser mãe, ou seja, sem ter rotina de mãe, o que foi mais ou menos como se tivesse ficado sem os movimentos da perna, mas ainda os sentisse com o cérebro (contei mais disso neste post). E pesou não me sentir boa mãe o suficiente a distância. Mas eu superei, com chamadas de vídeo e outros métodos, e consegui fazer isso ser LEVE.

Logo em seguida vendi minha casa e carro, ou seja, todos os bens que tinha, com a intenção de sair do país em uns meses. Meses que também passei me desfazendo de praticamente todas as coisas que acumulei em uma vida (ou todas as que não caberiam em duas malas). E por mais que “tirar” pareça contribuir para a leveza, pesou me sentir “sem nada”, nessa sociedade que nos ensina que quanto mais temos mais somos. Mas eu superei, investindo meu dinheiro e sendo responsável, e consegui fazer isso ser LEVE.

Depois veio a mudança de país em si. Com todas as incertezas, e o deixar os amigos, e a família, sem saber quando os veria de novo, sem saber onde ia morar, como e se ia trabalhar, sem ter a menor ideia de como seria a vida do outro lado do mundo. E pesou estar fazendo uma mudança não tão estruturada, “na loucura”, como alguns chamavam, ainda que o meu coração estivesse dizendo para não programar demais porque não ia adiantar. Mas eu superei, justamente acreditando na minha intuição e que tudo ia ficar bem, e consegui fazer isso ser LEVE.

E então, ao chegar numa Pousada para trabalhar como voluntária por apenas um mês antes de “decidir a vida”, fui pega por uma pandemia, e uma quarentena forçada, que isolou a mim e a minha esposa com um casal de jovens que quase nos deixaram loucas (contei mais disso também aqui). Tínhamos toda a estrutura, e comida, e espaço, e natureza, e privilégios, inúmeros mais que a grande maioria. Mas ainda assim, pesou “ter que” estar sã, tanto que inventei de fazer mais conteúdo, e oferecer mais um curso, e tudo culminou em uma crise de autenticidade que me fez perguntar quem eu era e começar a me desconstruir. Mas eu superei, com a leitura de um livro que mudou minha vida e começando o projeto Confissões de Confinadas que me deu ânimo e esperança, e consegui fazer isso ser leve.

Até que veio o maior dos desafios do ano: a decisão de me separar da minha esposa estando ainda em quarentena e as duas sozinhas do outro lado do mundo. E “ficar sozinha”, que por muitos anos foi um dos maiores medos da minha vida, começou a ser uma opção que me empolgava e me aterrorizava ao mesmo tempo, principalmente por não estar “em casa”. E pesou, pesou muito, estar terminando meu segundo casamento, ter que contar isso para o João, a família, os amigos, e ainda tentando manter uma boa relação com a Mari nos meses em que seguimos vivendo juntas aqui mesmo depois da separação. Mas eu superei, com muuuuita conversa, e tomando diariamente a decisão de fazer este fim ser apenas um recomeço, não uma tragédia, e consegui fazer ATÉ ISSO ser leve.

Ufa! Passei de ano!

O resultado desse monte de prova, que eu me sinto tendo passado com orgulho, mas não sem esforço, foi que nas semanas que antecederam o meu aniversário de 39 anos eu estava me sentindo tão, TÃO LEVE que nem parecia verdade. Coisas aconteciam, problemas surgiam, perrengues pipocavam, planos se frustravam e eu ali… leve, equilibrada, acordando diariamente com um sorriso no rosto e a gratidão pela vida que estou levando hoje. Como uma das minhas posturas preferidas do yoga, a árvore, que se mantém firme nas raízes por mais que os galhos e folhas balancem. Ahhh, o yoga! Ele foi uma das minhas principais ferramentas para passar deste ano (falei mais disso aqui), tipo o livro principal que estudei pra matéria leveza, e que me deu os exercícios e insights de que precisava para cada prova…

Não só o yoga. Mas também o desconectar-me das redes sociais por um tempo, o reconectar-me com meu real propósito de vida, o conectar-me a Deus da minha maneira, o abrir-me para o novo, o aproximar-me SÓ de quem me fazia bem, o fazer as pazes com os meus pais, o meu passado, os meus antepassados. E principalmente, vencer medos. Como o da primeira viagem sozinha, o de perder a conexão com o meu filho pela distância, o de decepcionar as pessoas e até o de me ferrar sozinha do outro lado do mundo. Tudo isso em algum momento passou pela minha cabeça, mas vencer medos é o que faz qualquer matéria ficar mais fácil, porque a gente percebe que “não morre” do outro lado do medo, que a coragem não acaba com ele, mas o faz pequeno, e que atingir o resultado – no caso a leveza – faz a gente sentir um bem que não tem preço e vale QUALQUER esforço!

O presente é o presente que a vida me deu

E depois de tudo isso, na semana passada, chegou de novo o dia 18/08. De 2020, o ano mais loko da vida de quase todo mundo. E, depois de fazer a minha lista de gratidão na noite anterior e me já sentir tão afortunada por ter conquistado o sonho da leveza própria, eu tive um aniversário de 39 anos que foi um verdadeiro presente. Estava longe de casa, da minha família, mas estava totalmente em casa e em família. Não tive folga do trabalho, como sempre tento fazer, mas porque ESCOLHI trabalhar nesse dia, de tão realizada que me sinto fazendo o que faço aqui na Posada. Não tive uma mega festa cheia de gente e amigos, mas tive uma festa muito especial, com poucos, mas MUITO especiais amigos, que tiveram gestos especiais comigo, e me deram presentes especiais, e comidas especiais, e me fizeram sentir MUITO especial. Não tive “Parabéns pra você”, a não ser os virtuais, mas tive “Cumpleaños feliz”, acompanhado do bolo que eu mesma fiz com a receita que fazia junto com a minha mãe na infância e que, ao comer, e oferecer pra essa nova família, esses novos amigos, essa nova vida, me fez chorar. 

Chorei não de saudade, porque senti todo mundo do Brasil perto, por todo o carinho que recebi por mensagens, áudios, ligações, chamadas de vídeo. Chorei de felicidade! De ter alcançado a tão desejada leveza e estar sendo presenteada no meu aniversário com o melhor presente que poderia receber: O PRESENTE! Com todas as memórias e aprendizados do passado e todas as possibilidades e esperanças do futuro, mas sendo vivido com presença no presente mesmo, com intensidade, e equilibrio, e amor, e gratidão, e ela, a leveza…

Que traz felicidade!

Tenho ouvido ultimamente, das pessoas que me conheceram aqui nesta nova vida, que minha alegria e meu sorriso constantes contagiam. E ainda me surpreendo ao ouvi-lo, porque só eu sei o QUANTO custou pra isso ser verdade. Mas valeu a pena (“ê, ê!”). E quer saber? É verdade mesmo! Eu nem me lembro qual o último dia em que acordei de mal-humor ou passei o dia todo “pra baixo”. Isso ainda vai rolar de novo, eu sei, estou certa, provavelmente durante estes 39 que já comecei a viver! Mas esses dias serão encarados com a mesma leveza que eu aprendi a usar como arma para viver uma vida com amor!

E, me sentindo um pouco mais velha e experiente, só posso sugerir que você tente também. Tente ser leve. Tente levar leveza para as coisas mais simples e as mais complexas do seu dia a dia. É mágico, faz brotar amor onde nem imaginávamos e te faz, sem ter nenhuma razão específica, acordar e sair cantando que “a vida, é bonita e é bonita!”. O que eu desejei pra este meu 39º ano? Justamente “VIVER E NÃO TER A VERGONHA DE SER FELIZ”, sendo uma eterna aprendiz de mim!

 

2 comentários em “O ano em que, sim, eu consegui! E ganhei um presente…

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