“Cheguei, hein! Estou no paraíso, que abundância…”

UAU, QUE SEMANA! Não faz nem sete dias que escrevi aqui, mas tanta, TANTA coisa boa tem me acontecido, tantos presentes tenho recebido que não resisti a vir aqui contar para vocês. Afinal, se teve algo a que me propus quando voltei a me dedicar ao blog, é que aqui seria o lugar de derramar o meu mais puro e autêntico EU! Um eu que tem passado por muitos processos nesta quarentena, como confessei no conto autobiográfico que escrevi para o meu novo projeto Confissões de Confinadas, divulgado no último post. E a beleza deste meu momento tem sido exatamente saber que a abundância de presentes que tenho recebido não invalida os sentimentos conflituosos que estou vivendo dentro, pelo contrário, vai me mostrando exatamente quais os nós que podem ser desatados, e de que forma.

Beto Jamaica feelings

Para quem dançou com É O Tchan nos anos 1990 e ficou confuso com a citação do título, explico que ele é no sentido figurado, já que não “cheguei” de fato em outro lugar. Sigo aqui na mesma Posada que contei no post “Como é isso de morar na Europa sem pagar?”, minha casa desde o início de março e que, UAU, já me viu passar por muitas coisas. Mas a sensação é que, apesar de não ter mudado de lugar, em poucos dias o lugar mudou de uma simples pousada para um paraíso.

Mudou fisicamente, inclusive, porque com a primavera chegou uma abundância a que eu não estava acostumada: abobrinhas, alfaces, tomates, vagens sendo colhidas da horta e virando comida, árvores frutíferas por todos os lados dando nêsperas, caquis, figos, romãs… E tem muito mais “embaixo da terra” se preparando para sair também. Neste momento, escrevo debaixo de uma parreira, na qual ontem à noite eu passei um produto que evita fungos, deixando-a pronta para, em poucas semanas, dar cachos e mais cachos de uvas que, segundo meu jefe, “a gente olha pra cima, escolhe a uva, pega e come”. Imagina e me diz se não é uma cena digna do Jardim do Éden? Isso tudo é muito, muito diferente de tudo o que já vivi em termos de me relacionar com a natureza no Brasil – que é o país tropical, mas onde ter carro “vale mais” que ter árvore no quintal…

E há os animais ainda… passarinhos que cantam o dia a todo às vezes tão forte que pra mandar áudios preciso falar bem perto do microfone; galinhas que vivem soltas e nos dão ovos, mas no final da tarde voltam e nos seguem pedindo comida, quase como animais de estimação; lagartos e calangos que se estiram para tomar sol nas paredes quentes; sapos que coacham quando a noite cai; aranhas que fazem teias dignas de encantar tecelãs e (aprendi!) se fingem de mortas quando a gente vai limpar perto de onde estão – numa inteligência que eu chamaria de “quase humana”, mas ultimamente estou achando que isso não é lá um adjetivo muito positivo…

E no meio disso tudo, estou eu! Geralmente fazendo alguma das coisas que mais amo, como escrever, conversar com pessoas, cantar, praticar yoga, tomar uma cerveja, comer algo gostoso, ler ou só meditar contemplando essa natureza em toda a sua grandiosidade. Vivo cenas tão lindas e dignas de sair cantando feito Branca de Neve entre o verde e os pássaros, que nem nos meus melhores sonhos imaginei estar vivendo. Ainda mais num momento em que o mundo inteiro está sendo assolado por uma pandemia, com milhares de mortes acontecendo todos os dias, algumas delas com pessoas próximas ou parentes de amigos… (Esses dias mesmo tivemos que mudar o final de um dos contos publicados no blog porque a mulher que contou sua história perdeu o marido para o Covid-19…)

Abundância de fora pra dentro?

Eso no existe, diriam os espanhóis, e a real é que não mesmo. Não há como introjetar a abundância em alguém que não esteja se entregando a ela de dentro pra fora. Porque existir pra nós ela já existe desde sempre, em todo lugar; da natureza às oportunidades, do amor dos nossos pais aos nossos talentos, fomos feitos pra ser parte dessa abundância que existe no Universo. Mas, para que sejamos de fato PARTE dela, usufruindo-a de verdade, tem que vir de dentro. E foi o que aconteceu comigo nas últimas semanas.

A começar por fazer os 21 de Abundância, um desafio de meditação do Deepak Chopra que já tinha chegado até mim outras três vezes nos últimos anos, mas dessa vez veio no momento certo, em que estava buscando me conectar com o lado bom e abundante da vida neste momento de tantas incertezas e notícias ruins. O yoga ajudou muito também. Depois de ter estudado os Sutras de Patanjali em março (uma espécie de mandamentos ou conselhos de boa vivência neste mundo), comecei a praticar diariamente pela manhã, e foi impressionante como mudou meus dias, minha consciência corporal, respiratória e espiritual. Passei a todos os dias acordar definindo uma intenção para o meu dia, na verdade duas, já que sempre repito uma é a minha intenção para todo o 2020, e, devo dizer, maior responsável por essa abundância que tenho sentido: leveza!

pediu um aprendizado, né, minha filha?

Pedi, e como sempre acontece, ele vem em forma de prova. Tenho uma amiga que fala que a vida é tipo uma faculdade eterna, em que a gente “elege” as matérias que quer fazer a cada ano e vai estudando, fazendo provas, até passar de ano nela e poder ir para outra. Quando não passamos… o Uni nos manda pra recuperação, DP, mais e mais “aulas” e provas, até que a matéria “entre” no cérebro (e no coração, e na alma). Ano passado eu pedi paciência. E acabei morando mais de nove meses na casa dos meus sogros (sim, eles são ótimos, but still… sogros!). E ainda tive que esperar vender a casa, esperar vender o carro, esperar quatro meses se passarem pra ver de novo meu filho… Entendeu o raciocínio?

Neste 2020 defini que queria ser LEVE, é o que tenho buscado, o que tenho tentado aprender, o que estou me dedicando a colocar diariamente na minha vida. Estou de verdade comprometida com aprender essa matéria. E aí, como é que Deus me ajuda com isso?? Me colocando no meio de uma pandemia do outro lado do mundo, longe do meu filho que foi A razão de eu ter vindo para a Espanha, junto com um jovem casal inexperiente, imaturo e descuidado que quase me deixou louca, e ainda com uma mudança de rota dos meus planos profissionais caindo como uma bomba e mais um monte de dúvidas aparecendo aqui na mente sobre como ficará minha vida depois que – ou seria “se”?  – isso tudo acabar.

Eu comecei o meu ano da leveza me desfazendo de quase todas as (poucas) coisas que sobraram da minha casa anterior e de mais uma boa parte do já enxuto armário para trazer para a nova vida apenas duas malas. Achei que era o suficiente, mas aí o Uni achou o quê? Que eu podia ser MAIS LEVE AINDA, e me mandou mais uma provinha: metade dessas malas acabou ficando “presa” na casa do #meufilhoteJoão durante o confinamento. E cá estou eu me virando muito bem com o que tenho comigo, e pensando o quanto podia ter trazido ainda menos e ocupado o espaço de algumas dessas roupas com o meu mat de yoga que é o que REALMENTE está fazendo falta (mas não me impedindo de improvisar um pra praticar, vale dizer!). Enfim, com escolas fechadas e tudo, o estudo aqui nessa matéria está firme e forte!

Se passei de ano nela?

Aí é cedo pra dizer, afinal nem um semestre completo ainda eu concluí (apesar de parecer uma eternidade!). Mas posso dizer que me sinto indo bem nessa matéria, ganhando estrelinhas do teacher God depois de me destacar em algumas aulas e tirar notas boas nas provas. Como sei disso? Porque justamente ao me livrar de alguns pesos (como o de antes estar fazendo um trabalho que era para os outros, visando mais ganhar dinheiro do que ME realizar de forma autêntica), a abundância está chegando até mim, com toda a leveza possível! E não só em forma de frutas e legumes, da natureza, de paisagens lindas, como falei no início, mas também de SONHOS sendo realizados, dos menores aos maiores!

O casal de argentinos inexperientes que quase me enlouqueceram, aqui na Pousada, por exemplo, lembra? Foram embora! E o silêncio, a paz, a calmaria que temos vivido estando só eu e a Marry aqui, com as coisas todas no lugar sem ter que sair arrumando 20 vezes por dia (eu sei, coisa de mãe, e infelizmente era o papel que estava precisando fazer com eles…) deixaram o lugar com ainda mais cara de paraíso. Sem palavras para a gratidão que estou sentindo de não precisar mais ter pequenos estresses com eles todos os dias… E tem mais pedidos que me foram concedidos, até daqueles que nem cheguei a falar em voz alta (mas a abundância chega de dentro pra fora mesmo sem precisar sair de dentro).

No yoga, por exemplo, estava sentindo dificuldade em fazer alguns asanas (posições) porque tenho bastante flexibilidade, equilíbrio e força das pernas, mas os braços estavam meio fraquinhos, rs. Aí recebi o que de presente? Uma semana de trabalho na obra, como contei no post “Derrubando paredes – de fora e de dentro”, usando MUITO os braços, fazendo muita força, com dor no começo, já nem sentindo no fim. E aí, nesta semana, quando fui fazer aqueles mesmos asanas, voilà, senti uma tremenda diferença, cheguei e permaneci nas posições com muito menos esforço, e ainda pude começar a praticar bem no meio da natureza, por estarmos com mais liberdade! Talvez pareça pouco para você, bobo até “comemorar” uma coisa dessas. Mas é exatamente assim que eu me sinto amada por Deus, e abençoada, e vivendo a cada dia com aquele sentimento que todo e qualquer ser humano busca: FELICIDADE! E tem mais…

sonhos grandes estão sendo realizados também

A começar pelo próprio Confissões de Confinadas, que em poucos dias no ar já tem feito tanto sucesso, com um número gigante de acessos todos os dias e histórias incríveis de mulheres chegando para nós (se você quiser que eu conte a sua é só responder essas perguntas aqui!). Nos próximos dias, vamos ser entrevistadas por alguns outros blogs, canais e grupos de mulheres e até por uma rádio para contar de como tem sido maravilhosa essa experiência de dar voz a mulheres. Mas isso não é tudo. O LIVRO REALMENTE VAI SAIR! Não sei exatamente quando, e a verdade é que também ainda não sei COMO, mas, quer saber? Não preciso! Porque tenho recebido todos os recados, de todos os lados e formas, de que Deus está cuidando disso pra mim, então já sei que vai acontecer.

Engraçado foi ser lembrada por uma amiga nesta semana de um evento de mulheres de que participei um ano atrás e no qual todas nós tínhamos que levar um sonho e um objeto que o representasse. Eu levei um livro que amo, Buda Dançando Numa Boate, da Paula Abreu, que inclusive me ensinou muito sobre como a leveza e a simplicidade são o caminho para a abundância. E na hora de contar meu sonho, disse: “Escrever um livro contando histórias, minhas e de outras mulheres, que inspirem e sejam luz na vida das pessoas”. Eu não sabia que histórias seriam, eu não tinha as tais mulheres em mente, eu não fazia a menor ideia da (então futura) pandemia, eu não pensava em ter uma (a melhor!) parceira para isso, eu não acreditava nem que fosse realmente capaz de realizar esse feito de escrever um livro antes de já ser “famosa”. Mas ali, naquele dia, eu PLANTEI o meu sonho!

E quem planta colhe…

Está na Bíblia, e nos Sutras do Yoga, e em todas as religiões, e livros de espiritualidade, e cursos de autoajuda, e vídeos de coaching. E só está nisso tudo porque está na natureza, é uma lei da vida! Não dá pra plantar cenoura e colher batata. Mas também não dá pra não plantar cenoura e esperar colhê-la. Da mesma forma que plantando cenoura direitinho, e regando, e cuidando, fazendo a sua parte como agricultor, a natureza fará a dela e CERTAMENTE você vai colher cenoura. Eu sei disso tudo há tanto tempo quanto me conheço por gente, a “parábola do semeador” fez parte da minha infância. Mas só hoje, estando aqui nesse paraíso abundante, em contato direto com as colheitas da natureza, é que estou tendo vivenciando, não apenas entender, o plantar e colher de sonhos meus. O pedir e receber. O desejar e ver chegar. O crer que já é e ver ser.

Falei no último texto que minha vida está parecendo mais uma partida do Tétris, em que as pecinhas vão caindo e, SE EU OLHAR COM CUIDADO E DIRECIONAR PRO LUGAR CERTO (a parte do agricultor, lembra?) tudo se encaixa, e em questão de dias lá se vai mais uma fileira de assunto resolvido, uma matéria na qual sinto que passei – ou pelo menos não bombei totalmente, rs! Não que seja uma partida sempre fácil, NÃO É! Muitas vezes as pecinhas precisam ser encaixadas de formas que eu não queria ou não esperava, e de outras eu até estou tendo que me livrar para de fato beneficiar o todo. Mas ainda assim está valendo a pena, mesmo quando parece que vai dar merd@… e de repente dá certo! Termino contando que a cereja deste bolo, e responsável por me dar aquela certeza ali de cima de que o livro VAI SAIR (e logo!) é o meu momento em um grupo de economia colaborativa entre mulheres, do qual participo há quase um ano.

meu time de “agricultoras”

Pensa numa “tchurma” de mulheres fodástic@s?? Cada uma com uma habilidade incrível, serviços e produtos pra oferecer, contatos de áreas diferentes, e todas se ajudando entre si, em vez de propagar essa história de que “mulheres competem” – aqui a gente se AJUDA e IMPULSIONA. Agora imagina a força de todas essas mulheres juntas trabalhando em prol do MEU sonho, exatamente esse de fazer o livro Confissões de Confinadas acontecer? Pois é, chegou a minha vez de ser impulsionada por elas, e se já temos tantos acessos ao blog em poucos dias de lançamento, e tantas histórias lindas para contar, elas também têm parte nisso. E comemoram comigo a cada pequena conquista, e estão fazendo todo o possível para que esse sonho se realize o quanto antes, me ajudando com dicas, com divulgação, com contatos, com TUDO o que têm para oferecer.

Sim, eu tenho muita sorte! E um amor gigante por cada uma dessas mulheres, e uma gratidão enorme a Deus por estar me mimando a cada chegada desses presentes, seja em forma de natureza, de pessoas, de notícias ou de conquistas. “EU SOU ABUNDANTE E A RIQUEZA É MEU DIREITO DIVINO! TUDO QUE EU QUERO E DESEJO CHEGA PARA MIM COM MUITA FACILIDADE!” E agora essa frase não é mais só uma afirmação positiva que eu repetia todas as manhã ainda morando no Brasil, quando estava em uma situação MUITO diferente, financeiramente e de vida, para que minha mente acreditasse e o Universo me mostrasse uma forma de chegar lá. Hoje essa JÁ É a minha realidade!!!! Obrigada, Deus!

Se isso TUDO não são presentes de Deus pra mim em forma de todo tipo de abundância que há no Universo, eu não sei o que é… 

3 comentários em ““Cheguei, hein! Estou no paraíso, que abundância…”

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  1. Que delicia de lugar!
    Vc está realizando o que acredita e o Universo conspirando a favor!!!
    Parabéns Julie, que cada dia seja um novo recomeço e com certeza nos vemos um pouco realizadas através do que vc escreve com tanta facilidade e tão especialmente verdadeira!

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  2. Incrível, né filha?
    Muito feliz por você!
    Compartilhei o Projeto com alunas e colegas e tenho recebido muuuitos elogios pela ideia.
    Muito orgulho de vc!
    Várias vezes te incentivei a escrever um livro porque sou super fã dos seus textos.
    Essa vitória do livro sendo escrito é pra ser mesmo muito comemorada !
    Deus continue te ensinando e te abençoando!
    Conte comigo!
    Sempre!
    Te amo!

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