Derrubando paredes – de fora e de dentro

Eu não sei como está sendo a quarentena aí. Mas aqui, de todas as TANTAS coisas que têm acontecido, me impressiona a quantidade de sincronicidades. Sabe aquelas coisas que parecem soltas e de repente, PÁ, se encaixam perfeitamente? Uma frase aleatória que alguém diz e era tudo o que você precisava ouvir. Uma mensagem que ouve e explica exatamente como está se sentindo. Um convite que chega quando você queria aquilo mesmo, mas não disse nem para si mesma. Um sentimento interno que parece confuso, mas quem está junto de você consegue milagrosamente interpretar. Um livro que lê e que parece colocar na sua boca as palavras que estava tentando, mas não conseguia dizer… Tem sido assim.

“Pecinhas do quebra-cabeça se encaixando” é como uma amiga minha chama esses insights que simplesmente caem no lugar certo, na hora certa e podem fazer desde pequenas mudanças até trazer soluções ou absolutamente bagunçar a sua vida. Para o bem, sempre para o bem… Comigo, hoje sinto que essas sincronicidades começaram a surgir por aqui muito antes de eu notá-las, inclusive. Mas ficaram mais evidentes depois da tal tiragem de tarô que causou as primeiras “mortes” aqui dentro, como contei no post “A minha Páscoa da ressureição veio pelo tarô”.

Um mês atrás…

… e parece que faz uma vida desde que percebi que estava tomando caminhos totalmente incongruentes com a autenticidade que eu tanto pregava, e resolvi mudar de rumo, ou melhor, voltar ao meu. Que é este, de usar meu dom da escrita e transformar em palavras o que acontece aqui dentro, para que possa ser luz para quem chega até mim. E, neste último mês, quando saí escrevendo, e escrevendo, e postando aqui, e escrevendo mais, tudo com verdade, e com REAL autenticidade, este blog, que até então tinha ficado esquecido, teve o seu mais alto número de visitantes e visualizações desde quando o comecei, dois anos atrás.

Tudo porque eu resolvi olhar pra dentro e ajustar umas engrenagens que estavam fora de lugar… Percebe o que quero dizer? É como se um alinhamento começasse a acontecer a partir do momento em que a gente admite: “É verdade! Eu estava mesmo indo pelo caminho errado, interpretando um personagem que não sou eu na real. Mas agora que vi e admiti, vou arrumar isso”. E BOOM, “algo” acontece, e como mágica outras pecinhas do seu quebra-cabeças chamado vida vão aparecendo e você as vai encaixando, e as coisas começam mesmo a ir para o seu devido lugar, e algumas figuras se tornam mais reconhecíveis.

Uma semana atrás…

… foi a vez de mais uma parte desse quebra-cabeças da minha vida – que deve ter umas 763.476.879.485.930 peças – ficar visível. Depois de um Dia das Mães sozinha e de muito choro, como contei no último post, com não só lágrimas, mas fichas caindo, pensamentos, não só o óculos, desembaçando, fui me deitar na segunda-feira por volta das 23h. Não dormi, não dormi, não dormi… e quatro horas depois estava levantando, afobada procurando o celular para escrever detalhes minuciosos de um novo projeto que surgiu na minha mente (DE ESCRITA, CLARO). Foi como se tivesse sido atingida por um relâmpago no cérebro (sendo que tinha chovido o dia todo aqui… – sincronicidades, lembra?) trazendo a ideia simplesmente inteira, em minutos, com os passos todos que deveria tomar, o conteúdo dos textos que precisava escrever, as pessoas que tinha que chamar para colaborar e participar, o nome que ia chamar, a forma como levar adiante, TU-DO. E de forma totalmente alinhada com o objetivo que eu tinha me colocado lá naquele dia do tarô, de me voltar para minha real paixão de escrever… livros!

Siiiim, tem a ver com isso o projeto novo, e por hoje não darei mais spoilers, mas até a semana que vem já volto aqui para contar tudo sobre ele – porque, sim, sou executora no nível pensou-fez-tá pronto, e ainda encontrei a parceira perfeita pra executar esse comigo! Já percebi que quando a gente está realmente pronta, é real que as coisas acontecem com bem menos esforço, sabe? Meu sonho de SER de fato uma escritora de livros, por exemplo. Ainda que já tenha escrito três como ghost-writer (estou inclusive finalizando um agora, para clientes muito especiais), o meu coração sempre soube que era um sonho que só se daria por realizado quando escrevesse livros 100% meus, não apenas no texto, mas no conteúdo, na história, nas vivências contadas. E ideias eu tinha muitas, mas é como se sempre houvesse algo mais urgente, “mais importante” pra fazer… “Mais importante que eu mesma? Que realizar meus sonhos e ser aquilo que de fato acredito que Deus me criou para ser?” É quando a gente se inconforma com esses absurdos da nossa mente e se dispõe a acabar com eles que a magia começa a acontecer…

Magia, milagre, bênção, destino…

Não importa como você queira chamar. Eu já percebi que a nomenclatura não faz diferença quando essa “COISA” rola e algo que eu queria muito, mas parecia “tão, tão distante” quanto o reino do Shrek se torna mais fácil e rápido que fazer mingau de aveia (leite, aveia, panela no fogo, voilà!). Só que aí tem uma questão bem, BEM importante, que é a parte que geralmente a gente preferia pular: o caminho para uma realização nem sempre é óbvio ou gostosinho. Eu diria até que na graaaande maioria das vezes é um saco mesmo, até uma perfeita shit dependendo do caso… E não, não é porque Deus é mau, porque eu estava em pecado, porque não fui uma boa menina ou porque não mereço que seja fácil (sim, eu já acreditei em TODAS essas possibilidades antes…). Hoje entendo que a única razão pela qual uma parte do caminho para uma realização geralmente é composta de PERRENGUES é esta: a medida do nível de dificuldade é a mesma medida da força que desenvolvemos para passar por cada situação. Talvez ainda não esteja fazendo sentido, especialmente pelo título que falava sobre “quebrar paredes”, mas me acompanha mais um pouquinho que você já vai entender…

É como a história da borboleta.

(“Ah, agora você forçou no desvio do tema, Julie” – juro que não, calma…) Eu não sei se você já leu num livro, se já viu num vídeo do Discovery Chanel ou se teve a curiosidade de buscar no google (quando se tem uma esposa geek todas essas hipóteses passam pela sua vida em algum momento…), mas para se tornar borboleta a tal lagartinha não apenas vai para o casulo e “dorme” até que um belo dia, tcharam: ASAS! A real é que, quando está perto da hora de sair do casulo, ela luta, no sentido físico mesmo, de se debater ali, num espaço minúsculo e cada vez mais apertado. Gosto de usar a palavra struggle, em inglês, que pode ser traduzida como “faz um grande esforço”, um sacrifício enorme de corpo e alma (já que mente a borboleta não tem…), do qual, imagino, muitas vezes dá vontade de desistir, ou pedir ajuda para alguém, ou, como falei, pular essa parte.

Acontece que é exatamente esse grande esforço que faz com que suas asas, ainda novas, pequenas e fraquinhas no começo da transformação, ganhem tamanho e força suficiente para poder voar. Biologicamente mesmo, já que a luta que rola ali dentro, da borboleta “contra” o casulo apertado, vai fazendo o trabalho de levar mais fluido do seu corpo para as asas, fortalecendo-as numa medida exata para que, ao de fato conseguir se desprender do casulo, ela esteja PRONTA PARA VOAR.

Pois é, e eu sempre amei borboletas, foi minha primeira tatuagem e sempre me identifiquei com o lado “transformacional” dela, mas advinha, ADVINHA quando tive contato com essa informação sobre o struggle que ela faz até de fato ser quem é?? Exatamente quando eu estava nas minhas maiores lutas aqui dentro desse casulo chamado quarentena… Sincronicidades, lembra? Elas me trouxeram a história da borboleta, um novo projeto lindo, a possibilidade de realizar meu sonho como escritora e, junto com essas partes fofas, um monte de monstros internos para eu “me debater”.

Aí é que entra a derrubada de paredes…

Começamos hoje a fazer um trabalho mais braçal aqui na pousada. Devido a uma reforma que o dono vai fazer numa das casas, e já que os nossos trabalhos com o site e outras questões estão finalizados (e se você se sentiu meio perdidx nessa parte é porque não leu ainda o post “Como é isso de morar na Europa sem pagar?”), ele nos pediu para… quebrar paredes. Foram quatro horas seguidas (interrompidas apenas por uma cerveja que ele trouxe pra gente no meio do trabalho – isso é que é jefe!) “picando”, abrindo canaletas e derrubando paredes, e amanhã tem mais, e assim serão os próximos dias. E aqui poooode parar se por algum motivo você pensou “ai, coitada, que serviço ‘pesado’…” ou então “a Julie é tão pequenininha, tadinha, deve estar sendo duro”. Só para, porque nem eu nem ninguém aqui me vê assim, e gosto disso, comentava agora mesmo com a Marry como é BOM ser tratada pelo José como uma adulta, uma mulher forte, que dá conta de quebrar paredes e muito mais, e não como uma mocinha toda fragilzinha, tadinha. Até porque, advinha?? É exatamente isso que estou precisando ser neste momento da minha vida: uma mulher forte quebradora de paredes. As de fora, da casa em reforma, e as de dentro, a minha casa pessoal, o meu EU interior.

Estou me reinventando, me reconhecendo, me redescobrindo, me refazendo, me reorganizando, me reconstruindo. E todo mundo sabe que a melhor construção não é aquela que é feita “por cima”, apenas tapando os buracos, dando uma niveladinha e escondendo com a tinta, mas sim a que destrói tudo o que está ruim para, só então, reconstruir. Por isso está sendo tão especial, importante, providencial, sincrônico estar fazendo esse trabalho braçal “para fora” neste exato momento. Ele está me provando que meu corpo é capaz de coisas que minha alma não sabia ao certo se dava conta. Aceitando o desafio (porque, sim, eu poderia ter dito “isso não quero fazer!”), meu corpo está sendo como um professor para a minha alma, um exemplo a ser seguido de algo trabalhoso, mas recompensador e que, no fim do dia, me faz ganhar músculos (“o de hoje tá pago” 😜), aqueles preciosos músculos dos quais vou precisar para VOAR!

O que vai acontecer quando o struggle aqui dentro desse casulo do isolamento acabar, que cor minhas asas vão ter, quão longe vão voar, para que direção, com que bando… Nada disso eu sei dizer. Mas posso garantir que VAI haver um voo, porque sei que VAI surgir uma FUCKING borboleta, linda, forte, pronta. E que vai se lembrar não com dor ou tristeza, mas com carinho e gratidão desses dias de derrubar paredes, e encaixar peças do quebra-cabeças, e ter um milhão de aprendizados, e derramar um bocado de lágrimas. Esta, sem dúvida, está sendo a viagem da minha vida! Mas, ao contrário do que eu imaginava quando saí do Brasil três meses atrás, ela não está acontecendo para o mundo afora, e sim “para a Julie adentro”. Fique por perto se quiser acompanhar todos os destinos que ainda tenho para alcançar, porque são muitos… os de fora e os de dentro.

“Picando” a parede em pé, sentada, bebendo cerveja, quebrando
os nãos, sujando e machucando as mãos:
struggles do meu casulo de amor!

6 comentários em “Derrubando paredes – de fora e de dentro

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  1. Borboleta picando parede! Vá em frente, filha!
    Adoro suas metáforas, seus textos e sua capacidade de superação de obstáculos!

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  2. Julie… Vc está visivelmente mais forte! Até fisicamente. To gostando de ler sobre vc! E me impressionando bem. VAI FIRME GAROTA! BJ GRANDE!
    HELIO… do coral!😘

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    1. Hahahah, muito obrigada, Helio, pelo carinho e incentivo! O “mais forte” deve ser pelo tanto de pão que estamos fazendo e comendo, kkkkk, mas to feliz com os aprendizados todos do momento! Beijo grande, saudade de cantar com vc! 🙂

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