Como é isso de morar na Europa sem pagar?

Com essa vista, de frente para a montanha, fazendo uma das coisas que mais amo – escrever! –, aqui estou eu cumprindo uma promessa! Recebi algumas vezes essa pergunta do título, de amigos ou seguidores, nas últimas semanas. Contava um pouco, explicava alguns detalhes e sempre dizia no final: “Vou escrever um texto me aprofundando mais nisso”. Pois aqui está! Darei meu máximo pra compartilhar todas as questões que envolvem esse tipo de experiência, e já deixo logo um spoiler: como tudo na vida, tem as coisas positivas AND as negativas. Você só precisa pensar se, balanceando todas, vale a pena ou não pra você!

Começando pelo começo, explico que esse tipo de viagem tem uma regra básica: você troca algumas horas de trabalho por dia por acomodação e alimentação (sendo que essa depende do anfitrião). A partir daí, as variáveis são muitas, tanto em tipo de trabalho, como em tempo que pode ficar, localidade, benefícios que ganha em troca etc. etc., são muitas possibilidades mesmo. Inclusive não é uma, mas algumas empresas que fornecem esse serviço de conectar viajantes a anfitriões. A plataforma que eu uso é a WorldPackers, uma empresa brasileira, mas que funciona mundialmente, com um número bem maior de oportunidades na Europa, América Latina e Ásia do que em outros lugares como Estados Unidos. Para quem quer uma experiência norteamericana, canadense ou de outros países falantes da língua inglesa, um outro site, chamado WorkAway funciona melhor, ou mesmo o Helpex, que é mais antigo (visualmente inclusive!), mas também tem bastante coisa na Europa. Ou seja, muitas variáveis, lembra? Então vou me ater a escrever sobre a WP, que conheço mesmo pelas duas experiências que tive. Sim, duas.

Como esquecer da estreia em Salvador?

Pra quem não se lembra ou não me acompanhou no Insta (perdão, leitores do blog, eu sei que abandonei vocês por um tempo, mas vou me redimir agora, promise!), tudo começou no início do ano passado, 2019, quando eu tomei uma decisão: queria fazer minha primeira viagem SOZINHA, algo que até pouco tempo atrás eu achava totalmente nada a ver, tinha até dó quando via alguém num lugar turístico tirando selfie e apreciando a vista sozinho. Mas graças a Deus pela possibilidade que ele nos deu de mudarmos, né, e eu, já sabendo que num futuro próximo ia me mudar para a Europa e ter muitas chances pra viajar, tanto acompanhada quanto sozinha, resolvi que seria melhor já ter essa experiência antes, e no Brasil, pra ser mais “tranquilo”. Então, usando o WorldPackers, que conheci em 2015, mas ressurgiu na minha vida na hora certa, procurei um anfitrião em Salvador, cidade que eu não queria deixar de conhecer antes de sair do País, resgatei umas milhas para a passagem e por ZERO reais (a não ser pelos gastos que EU QUIS ter) fiz essa viagem completa de ida, volta e mais 20 dias morando e comendo no Hostel 70, o hostel mais amô de Salvadô. Nesse tempo eu conheci a cidade toda, a pé, de bike, de ónibus, de Uber, fui a quase todas as praias, tomei uns mil sorvetes de coco verde, dancei em muitos forrós e ainda fiz vários programas divertidos com a Pri, minha amiga de Jundiaí que estava uns dias por lá e foi a melhor parça que poderia ter na cidade do axé! Ufa, acho que consegui resumir…

Corta de volta pra Espanha/2020

Bora explicar com mais calma como viemos parar aqui no meio das montanhas em plena quarentena então. O primeiro passo necessário para fazer uma “viagem de voluntariado”, como é chamado esse esquema, é saber as datas. Isso é primordial. Justamente porque você vai precisar solicitar ao anfitrião escolhido sua hospedagem naqueles dias, então precisa saber quais serão. Com relação à duração, depende muito. Geralmente o mínimo é de duas semanas, e o máximo varia entre quatro semanas a (acredite!) um ano, ou até mesmo por tempo indefinido. A antecedência exigida para solicitar a estadia também varia muito. No nosso caso, era janeiro e faltavam menos de 15 dias para sairmos do Brasil quando fizemos a solicitação, mas queríamos a partir da primeira semana de março, ou seja, um mês e pouco antes. O procedimento para isso é simples: entrar no site, digitar a localidade para onde quer ir e “estudar” quais anfitriões precisam de voluntários com as habilidades que você tem. E o mais legal é que podem ser muitas essas habilidades, das mais óbvias e parecidas com o seu trabalho profissional às mais inusitadas e que nunca fez.

Isso porque, logo que se cadastra no site (que tem um custo, mas é anual e vale a pena), você constrói seu perfil e, dentre uma lista gigaaaaante de habilidades, escolhe as que topa fazer nos voluntariados, podendo dizer se é um expert nela, se tem alguma experiência ou se nunca fez mas quer aprender. Eu, quando me deparei com essa lista, como boa índigo e multipotencial, saí marcando “x” em quase todas, porque ou eu tinha experiência ou não tinha mas topava aprender, e no fim das mais de 40 opções acho que só deixei umas duas ou três de fora, rs. No caso, isso é positivo, pois me dá mais possibilidades de encontrar anfitriões “compatíveis” com as minhas habilidades. Para vir pra cá, procurei por hostels e pousadas em algumas regiões da Espanha que ficavam não tão longe de Madrid, onde o João está morando, mas que fossem mais rurais, porque eu e a Marry tínhamos essa vontade, de ficar mais no meio do mato. Deu certo, como podem ver! Dos sete proprietários que entramos em contato, alguns responderam imediatamente, outros demoraram um pouco, mas as respostas vieram, bem variadas: “gostei do seu perfil, mas nessas datas não estarei disponível para receber”, “precisava de alguém com mais experiência no cuidado de cavalos” (viu como tem de tudo??), “obrigada, mas já tenho voluntários suficientes para este período” e, finalmente, “será um prazer recebê-las!”. Aqui vale dizer que pela Woldpackers, se você vai viajar de casal, pode fazer um perfil só para ambos (um pouco mais barato), porém ele te impede de viajar sozinhx se tiver a oportunidade, e por isso preferimos fazer separado o de nós duas, e aí, pra essa viagem juntas, ambas “aplicaram” pro mesmo anfitrião na mesma data. Simples assim.

A resposta do José foi uma bênção

Até parece intertítulo de um capítulo da Bíblia, rs, mas a verdade é que realmente, dentre tantos nãos que recebemos, o sim mais perfeito veio do José. E a real noção disso só teríamos ao chegar aqui, mas desde o primeiro contato ele já se mostrou muito aberto, carinhoso, solícito e feliz em nos receber. Pra nós, ter saído do Brasil já com a viagem pra cá confirmada foi um presente, já que passamos o primeiro mês viajando por Portugal e, no meio de taaaantos perrengues que rolaram (prometo que ainda vou escrever sobre isso!!!), ter a certeza de que ao menos um mês da nossa viagem estava definido foi um alívio. Pois é, um mês foi o que a princípio pedimos como hospedagem, sem ter a menor ideia de que neste momento, quase 60 dias depois, estaríamos aqui ainda e sem nenhuma previsão de quando sair… E, sim, nessa situação, isso é motivo de comemoração pela bênção, como disse.

Já no início, o José se mostrou muito solícito quando, por uma mudança na nossa estadia anterior, tivemos que adiantar nossa chegada aqui em três dias. “No hay problema“, me respondeu ele no chat que o próprio Worldpackers deixa disponível para que falemos com o anfitrião pra combinar detalhes, o que é uma segurança a mais de que as promessas serão cumpridas. Ler outras avaliações de voluntários que já estiveram nesse local também é uma boa forma de conhecer mais antes de chegar, e caso não haja testemunhos disponíveis no perfil do lugar também é possível escrever mensagens privadas para outros viajantes perguntando da experiência deles com aquele anfitrião. No caso do perfil da Posada La Niña Margarita, tudo o que lemos foram elogios e mais elogios (já deixamos os nossos lá, inclusive), e isso nos empolgou ainda mais. Ainda assim, José foi capaz de superar nossas expectativas…

A começar por ter se oferecido para ir nos buscar na rodoviária da cidade mais próxima onde chegaríamos de ônibus (já que a Posada fica literalmente no meio do mato), algo que não é obrigação do anfitrião! A WP deixa bem claro que entre as responsabilidades do voluntário estão: ter um seguro viagem/saúde e chegar até o local na data combinada (pegando quantos aviões, carros, ônibus, trens forem precisos pra isso). Mas o José, como disse, superou todas as nossas expectativas e nos encontrou na rodoviária de Lucena, cidade da província de Córdoba, com um sorriso, um abraço caloroso e um carro grande e confortável, além de nos ajudar com as (MUITAS) malas, outra função nada dele. E lá fomos nós estradinhas afora, curvas e mais curvas por entre as montanhas, conhecendo um pouco mais desse simpático “senhor” de meia idade com um coração gigante, um brilho no olhar e uma eterna disposição em ajudar! Tanto que, poucos minutos depois de nos conhecer e ao saber que pretendíamos ficar mais do que um mês na Espanha, mas não tínhamos ainda um próximo destino, já estava nos convidando pra ficarmos mais tempo, “o tempo que quiserem porque trabalho bueno para pessoas buenas sempre temos!”. Estaríamos, meio sem querer, chegando no paraíso? A placa da entrada da Posada, que avistamos logo na chegada, resumia que sim:

“Turismo, Ócio y Servicios”

Não é muita palavra delícia junta? Mais adiante uma outra ainda dizia “Bienvenidos”, com as montanhas de fundo. Sem dúvida nos sentimos bem-vindas, e bem abençoadas também. O lugar é simplesmente incrível, mais do que as fotos do site que ficamos namorando ainda do Brasil podiam mostrar. Cercado de montanhas, e vegetações variadas, e campos e mais campos de oliveiras, e o som dos passarinhos, e galinhas soltas pela propriedade, e uma cadelinha fofa. Nos levaram ao quarto que seria nosso, nele havia dois beliches, mas o José prontamente se mobilizou para trocar um deles por uma cama de casal para nos “dar mais conforto”. A primeira semana foi de muita exploração, das montanhas, dos locais todos da pousada e dos quartos, também. Foi neles que começamos a trabalhar inclusive, fazendo serviços simples como varrer, trocar as roupas de cama e arrumar para a chegada dos hóspedes. A Posada tem um clima bem rural e poucos quartos, portanto mesmo nas temporadas mais cheias não fica lotada de gente, o que a deixa sempre com esse ar “familiar”.

Foi também na primeira semana que pudemos fazer dois passeios – que acabaram se tornando os únicos até o momento, rs. Primeiro visitamos a cidade “maior” aqui perto, Priego de Córdoba, onde fizemos compras e exploramos o comércio local, tendo na época aquele sentimento de “não é tão pequena, até moraria aqui, será que teria trabalho?” – doce ilusão a de quem planeja achando que vai concretizar… Dias depois, foi a vez de conhecermos a cidade “menor”, Carcabuey, que na verdade é minúscula mesmo, um povoado de umas poucas ruas que pudemos percorrer todas em uma única tarde, sem precisar do carro. “É fofa, mas morar aqui já seria isolado demais pra nós”, foi o que pensamos, quase mudando de opinião quando tivemos a notícia de que estava rolando um festival de churros na praça e nos esbaldamos nessa que é uma das minhas sobremesas favoritas! Sobre esses passeios: eles aconteceram nos nossos dias de folga, que nesse esquema de viagem de voluntariado são muito particulares em cada caso.

Tem folga de trabalho e tem trabalho de folga

Geralmente no perfil do anfitrião no WP, a página onde ele diz que serviços precisa, o que oferece etc., estão as horas por semana que serão trabalhadas (mínimo 20, máximo 35) e os dias de folga (mínimo um, máximo três). Mas nas minhas duas experiências o que estava no site acabou não sendo o cumprido, e isso não necessariamente é ruim. Explico: em Salvador, a proposta era de cinco dias trabalhados e dois de folga, mas quando cheguei o gerente sugeriu trabalhar três dias e folgar um, e eu aceitei. Aqui, nas duas semanas em que ficamos na situação “normal” com a pousada aberta para hóspedes, acabamos trabalhando durante a semana e folgando no final de semana. E ainda assim, como disse, além das folgas de trabalho tem os “trabalhos de folga”, que é como chamo o fato de você, por exemplo, só ter que estar disponível caso algum hóspede chegue; não deixa de ser um trabalho, mas ao mesmo tempo em que está “de plantão” você pode aproveitar para fazer o que quiser no computador, ler um livro, ouvir música, então também não deixa de ser uma folga. 😉

Sim, moleza. Em quase tudo. Tem as partes mais chatas, e não vou ocultá-las. Eu, por exemplo, dei graças a Deus por ter morado um tempo no interior paulista antes de vir parar aqui, porque conviver com insetos e outros bichos é normal DEMAIS pra eles. Tipo normal mesmo, no nível do freezer parar de funcionar e o José comentar tranquilamente “deve ter sido obra do ratón” 😱. Tudo bem que aqui é um lugar denominadamente RURAL, então eu já esperava, mas o que quero dizer é que não necessariamente você vai poder fazer só as coisas que gosta, as que não tem nojo, as que acha tranquilas. Eu mesma me pus à disposição pra tudo o que ele precisasse desde o início, e tirando o cuidado com as plantas (podar, cortar grama, tirar mato etc.), para o qual tanto eu quanto a Marry temos pouca habilidade e muito medo de estragar o que era pra cuidar, fizemos de tudo um pouco: ajudar no check-in, cozinhar e servir hóspedes, lavar louças e roupas de cama, limpar quartos, banheiros, vidros, geladeiras, arrumar camas, trocar móveis de lugar, pintar paredes e chãos, cuidar da cachorrinha, fazer pequenos consertos, desmontar beliche, trocar lâmpadas, varrer pátios. Achou cansativo? A gente não!

Porque o mais bacana desse esquema de WorldPackers é que se você pega um anfitrião gente boa como o José tudo pode ser combinado, ajustado, e o trabalho fica leve, divertido até. Não tivemos um dia sequer até o momento, por exemplo, em que trabalhamos as cinco horas que estavam combinadas por dia seguidas. E não por termos “matado o trampo” ou algo assim, rs, mas porque fomos percebendo o clima, nos ajustando aos horários dele mesmo, e nem ele trabalha tanto tempo seguido. Principalmente por ser Espanha, onde a tal siesta, saiba, é sagrada! Já tínhamos percebido quando ficamos uns dias na casa do João, pois o comércio todo fechava das 13h até umas 17h. Mas mesmo aqui, onde não há abrir ou fechar e o dono faz seu próprio horário, é como se nesse período da tarde não fizesse sentido trabalhar. Tanto que ele se espantou algumas vezes ao nos ver almoçando e voltando para as atividades, rs.

Diferenças culturais, baby!

E isso é algo a se considerar nesse tipo de viagem. Porque vão rolar muitas, de esquema de trabalho a tipo de tratamento, passando por comidas e outras partes óbvias de quando se viaja para outro país. Sem contar que, como disse, tivemos a bênção de vir para um anfitrião que superou nossas expectativas, mas poderia não ser assim. De qualquer forma, nesse esquema de voluntariado, em que trabalhamos em troca de hospedagem e alimentação (que também depende do anfitrião quanto a ser uma refeição, duas ou todas), é preciso estar ciente de que vai ser necessário fazer algumas concessões! A Marry, por exemplo, que é mais metódica, sofre um pouco com locais desorganizados (e aqui é um pouco assim) e sem muito horário definido (e aqui é bastante assim) e com pessoas sem noção (e aqui temos dois exemplos muuuito assim, que já vou contar). Ou seja, prepare-se para os mais diferentes cenários em vez de sair imaginando que vai ser tudo perfeito (até porque, o perfeito nem existe, né, mores).

E falando das imperfeições… precisamos chegar na parte ruim de fazer uma viagem assim: você não pode controlar COM QUEM vai viajar… O que quero dizer com isso é que, sejam outros voluntários, ou o anfitrião, ou mesmo os hóspedes do local, começamos a viagem sem saber quem serão e principalmente COMO serão as pessoas com quem passaremos algum tempo (que no nosso caso virou MUITO tempo). Sabe aquela frase de que você só conhece um amigo de verdade depois que faz uma viagem longa com ele? Então, ela existe porque viagens longas se tornam uma convivência intensa e prolongada, tipo um “morar junto” com aquela pessoa por um tempo – e é só morando junto que se conhece veeeerdadeiramente alguém. Pois então, nas viagens de voluntariado, por mais que você pesquise sobre o anfitrião, confie nele e ele seja mesmo um cara incrível como é o nosso, haverá outras pessoas “envolvidas” na sua viagem, e delas você não tem o menor controle. Como está sendo conosco.

we are stuck with “nonsenses”

É assim que nos encontramos no momento, presas com uma “sem noçãozisse” que não escolhemos e não tínhamos como prever. E “sem noçãozisse”, no caso, é uma forma fofa de me referir a um outro casal de voluntários que está aqui também. Eles chegaram uns dias antes de nós, não sabíamos que estariam aqui e no começo não achamos que teríamos problema com isso. Até ficarmos “presos” com duas pessoas estranhas (nos dois sentidos) e muito, MUUUUUITOOOO diferentes de nós. Durante esta endless quarentena. No meio do nada. Aí uma pequena atitude sem noção já pode virar um problemão, e, believe me, as deles não são NADA pequenas! De exagerarem absurdamente na quantidade que comem (mesmo com as controladas da quarentena) a deixarem tudo sujo por onde passam, é grande o leque de “Deus me ajude” com que estamos tendo que lidar. Eles são jovens, muito jovens, e isso não seria de todo ruim. Mas eles também são mimados, muuuuito mimados, do tipo que nunca teve que tirar o prato da mesa e de repente, PÁ, tá em outro país tendo que fazer tudo pra se virar – mas, no caso, não fazendo porque não foi ensinado, ou porque não percebeu que precisa. Não sei. E também não quero ficar fazendo daqui um muro das lamentações por essa parte incontrolável, porque ela é incontrolável mesmo, mas isso se chama VIDA, neah? Faz parte! E ainda assim…

“valeu a pena, ê, ê!”

Nãaaao, não acabou ainda! E está aqui mais uma razão para o adjetivo “bênção” por estarmos aqui. Depois que a quarentena começou a ser obrigatória aqui na Espanha, o José poderia, sim, ter só cumprido o contrato dele de um mês conosco, meaning, nos mandar sair na data combinada, que era 04 de abril. Mas eu acho que já disse que nossas expectativas foram superadas com ele, né? Rs. Pois é, não só nos manteve, como nos deu total liberdade para ficarmos o quanto quisermos, mesmo a quarentena acabando, e ainda mandou um recado para os nossos amigos e parentes quando nos ligaram preocupados por estarmos num país muito afetado pelo Covid-19 e que estava mandando os turistas de volta para casa: “Avisa para eles que vocês não são mais turistas, são parte da minha família, e estão seguras em casa”. É amor demais, né? E por isso somos muito gratas, e estamos muito felizes aqui, e inclusive contentes com o nosso trabalho, que acabou mudando depois que o lugar fechou para hóspedes: passamos a trabalhar com o site novo da Posada, a Marry fazendo o design e eu os textos, numa parceria que às vezes dá treta sim, mas tem resultados muito bons no sentido de entregarmos um produto bem bacana, profissional, de qualidade, e que a gente curte fazer.

Aliás, está aí mais um fator que torna esse tipo de viagem de troca tão incrível no meu ponto de vista: os seus próprios talentos, as coisas que gosta de fazer mesmo, podem acabar virando a moeda de troca para viver tantas experiências legais. Aqui, é como se estivéssemos ganhando aluguel numa casa de campo maravilhosa, alimentação (que neste momento nós estamos fazendo questão de pagar, para ajudar o José já que não está recebendo reservas), a experiência de viver num lugar rural, cuidando de galinhas (que nos dão ovos!!), colhendo limões do pé e vegetais na horta, e a possibilidade de estarmos a poucas horas de carro (que ele disponibiliza pra gente) de cidades lindas como Sevilha, Granada, Málaga e Córdoba (todas já na nossa lista de vamos conhecer assim que liberarem as estradas). Tudo isso em troca de fazer esses trabalhos, alguns mais a nossa cara, outros menos, alguns mais gostosinhos, outros menos, mas todos trazendo aprendizado! Sem contar que daqui podemos seguir fazendo os nossos trabalhos para os clientes do Brasil (tenho uma empresa de revisão, redação e tradução de texto, pra quem não sabe, e a Marry, além de fazer sites, é coach e dá consultorias de marketing), com as mais belas vistas da montanha como inspiração!

Por isso valeu tanto a pena, está valendo, a cada acordar com o barulho dos pássaros, a cada refeição no meio da natureza, a cada gesto de cuidado que recebemos do José, a cada caminhada por paisagens de filme, a cada céu estrelado que vemos antes de dormir. Estamos seguras, estamos num lugar lindo, estamos cuidadas, estamos trabalhando, estamos com saúde. E isso é o que eu chamo de felicidade! Que vai aumentar ainda mais quando a quarentena passar e eu puder apresentar tudo isso aqui pra pessoinha que mais amo na vida, o #meufilhoteJoão. Até lá, sigo transformando em palavras as vivências e sentimentos todos, como uma forma de agradecer por essa oportunidade tão linda que recebemos. E compartilhar, porque afinal você pode ter também, assim que os voos retornarem. Eu super recomendo essa experiência de viagem de voluntariado, que nos ensina, abre horizontes, apresenta pessoas especiais e ainda nos dá a chance de ajudar a quem precisa com os dons e talentos que Deus nos deu. E não é para isso mesmo que estamos aqui neste planeta? ❤

 

Um pouco da nossa vida aqui – e juro que ainda dá tempo de trabalhar! 😉

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