A minha coragem não pode mudar o mundo

“A gente tem que admitir nossos limites.” Eu voltei pra terapia neste mês, por perceber que estou precisando trabalhar o meu “luto” do João ter ido embora morar com o pai. E essa foi uma das frases que falei na primeira sessão de retorno, enquanto processava em voz alta tudo o que estou passando neste momento da minha vida.

E acontece que a minha coragem também tem limites. Eu ouço a frase “como você é corajosa” até hoje toooda vez que conto minha história. Mas o que as pessoas que a dizem não sabem é que ouvir isso não me dá só orgulho e gratidão – porque demorei, mas entendi que sou mesmo corajosa, então celebro isso! Mas também me dá uma sensação de solidão, impotência e uma inquietude. Porque sei que ainda que seja MUITO corajosa e espalhe muito a minha história, não posso mudar o mundo…

Sim, eu tenho sonhos grandes!

E o maior deles envolve o meu chamado para ser luz (que contei como recebi no texto “O nascimento da minha luz”) e o propósito que recentemente entendi ser algo que que já fazia naturalmente: quebrar o preconceito das pessoas. Quais? Aí é que está a grandeza: DE TODAS, DO MUNDO INTEIRO, pra que NUNCA MAIS alguém seja ferido, seja com palavras ou fisicamente, por SER QUEM É.

A minha coragem de ser autêntica, de quebrar padrões e mostrar que é possível sair da caixa e ser feliz mesmo assim já mudou a vida de muita gente que acreditava que algumas diferenças não podiam conviver juntas.

Quer uns exemplos?

Namorei um negro na adolescência, e, apesar de ter sido o primeiro preconceito que senti, alguns amigos e pessoas da minha família começaram a perceber que não fazia sentido achar que ele não era certo pra mim pela sua cor se me fazia feliz.

Depois fiz uma série de “primeira vez que uma menina cristã fez isso”, pelo menos pras pessoas ao meu redor, tipo colocar piercing, fazer tatuagem, comemorar um aniversário com festa na balada. As pessoas da minha igreja tinham a mente muuuuito fechada, e de alguma forma essas minhas atitudes abriram caminho pra pensarem diferente, e ficou mais fácil pros jovens que vieram depois de mim.

Aí me casei com um “partido perfeito”, tive um filho perfeito e, depois de 9 anos, me separei, fazendo as pessoas perceberem que não adiantava acharem que um casamento era prefeito aos olhos delas, ele precisava ser de verdade mesmo pra durar. Ouvi que seria infeliz, que ia destruir a vida do meu filho e da minha família, que Deus não ia me abençoar e eu ia me arrepender. E segui com a minha decisão mesmo assim.

E pouco tempo depois, joguei outra “bomba” ao revelar que estava namorando com uma mulher, uma amiga, da mesma igreja. Aí as condenações foram mais pesadas, disseram que eu estava pecando, que estava atraindo a ira de Deus, que ia pro inferno. Muitos não disseram nada, mas desapareceram da minha vida como se eu tivesse morrido. Mas quebrei mais um preconceito ao não acreditar neles e, não apenas dizer que meu relacionamento ia sim ser feliz e abençoado por Deus como também que a nossa fé não mudaria, que continuaríamos crendo em Deus e até mesmo estando na igreja – ainda que em outra, porque aquela, Deus me livre!

Bagunçamos ainda mais a cabeça das pessoas quando souberam que eu e minha mulher continuamos amigas do meu ex-marido, que convivemos bem e criamos nosso filho com a participação de todos – incluindo a mulher dele e seus outros filhos. E mais que isso: quando alguém ia falar mal de nós pra ele (meu ex), como que o colocando de vítima da situação, ele nos defendia, ajudando a quebrar de vez esse preconceito de que depois que se separam as pessoas deviam virar inimigas.

Depois ainda quebrei o preconceito de que os filhos só podem receber uma educação rígida, cheia de regras e que precisam morar sempre com a mãe, quando permiti e incentivei sua ida pra Espanha, afinal morar com o pai dele é um direito que ambos têm de se conhecer melhor, e entendo que seria um grande erro privá-los disso pra satisfazer a minha “necessidade” de ter o João. Que nem é real, na verdade, porque a minha única necessidade em relação a ele é vê-lo feliz, amado, bem desenvolvido física e emocionalmente, e não estar grudada nele pro resto da vida.

“UAU, mas então você já chocou muito, Julie!”

Sim, já! E, como escrevi no texto “É chocando que se ensina”, acredito que essa é uma facilidade, um dom que recebi, e que não posso negar ou deixar de exercer! Masss fazer isso sozinha não seria suficiente pra cumprir meu propósito de diminuir ao máximo possível o preconceito no mundo. E foi então que percebi que a única saída pra tornar isso possível seria MULTIPLICAR o número de pessoas corajosas o suficiente pra serem quem são e chocarem, quebrando preconceitos.

E desde então nasceu no meu coração uma vontade de compartilhar, especificamente com mulheres, quais os passos que tomei, os livros que li, os conceitos que reaprendi, as mudanças que fiz na minha mente e comportamento e até os próprios preconceitos que eu tinha e quebrei e que me permitiram tem A CORAGEM DE SER AUTÊNTICA! Fiquei um tempão pensando como fazer isso, nove meses mais precisamente, uma gestação! Até que numa madrugada o mesmo Deus me me presenteou com essa difícil mas linda missão me mostrou exatamente como deveria fazer isso.

E “isso” se tornou meu primeiro produto, um projeto lindo, que será o COMPARTILHAR MAIS PROFUNDO QUE JÁ FIZ ATÉ AQUI, em um grupo online de poucas mulheres que poderão não só ouvir das minha experiências como contar as suas, receber sugestões práticas de como serem mais autênticas e me ajudar a multiplicar essa missão de quebrar preconceitos mundo afora!

Meu objetivo mais prático com isso é que as pessoas encarem o diferente, seja ele na cor, no comportamento, no relacionamento, na religião, na aparência, como apenas diferente, e não como o errado que precisa ser mudado. Isso é diversidade!!! E foi Deus quem nos criou assim, diversos e completos e lindos, como falei no texto “O Jardineiro é Jesus, e as árvores… será?”. Que a gente possa então abraçar e aceitar essas diferenças, nossas e nos outros, de forma a chocar o mundo de tanto amor!!

A Coragem de Ser Autêntica!

Esse é o nome desse meu sonho de alcançar o mundo! 🌍

E começa amanhã, segunda, 21/10, com um grupo de mulheres diversas e maravilhosas se encontrando toda semana até dezembro pra se fortalecerem nesse objetivo de SERMOS NÓS MESMAS, deixando de viver uma vida que é pautada no que os outros vão achar! E eu não poderia estar mais feliz com essa enorme oportunidade e responsabilidade que terei e ajudá-las nessa caminhada, nesse compartilhar! Porque não é um curso, não é uma mentoria, não é um coaching, não é um treinamento. Mas criar coisas novas é comigo mesmo, e a certeza que tenho é de que será uma experiência única, que vai revolucionar a vida dessas mulheres e, consequentemente, impactar as pessoas que as cercam! 💪🏼

Ainda tenho algumas poucas vagas, e se você que já me segue aqui quiser fazer parte, me sentirei honrada e muito feliz em te conhecer mais de perto e contar contigo nesse time de mulheres autênticas por um mundo melhor, mais igual e justo! Todas as informações estão aqui: https://acoragemdeserautentica.com.br. Espero ver você! 💙

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