Não, a gente não precisa de um homem!

Estou há meses sem escrever no blog, eu sei. E muitas vezes ensaiei vir aqui, saiba você. Mas o momento turbilhão da minha vida me arrastou, e eu acabava enxugando meus pensamentos pra transformar um textão num – nem tão pequeno assim – textinho pro Instagram. E quase foi assim de novo hoje, quando fui escrever um post rápido sobre um assunto que estava entalado na minha goela, mas aí percebi que tinha tanto a dizer que… voilà! Habemus textum. 😜 O assunto:

O preconceito que eu e a Marry enfrentamos por sermos um casal de MULHERES.

E um preconceito que não é necessariamente o que você está imaginando… Na NOSSA experiência de mais de 7 anos juntas (com ênfase no “NOSSA”, porque eu sei que pra muitas lésbicas não é assim), nunca fomos xingadas, nem atacadas, nem desrespeitadas pelo fato em si de sermos gays – mas, reforçando, SIM, isso acontece com MUITOS casais gays. Sofremos com isso tudo acima lá no começo, quando nos assumimos, ao revelar para nossas famílias. Mas isso é passado e em situações do dia a dia, fora de casa, na rua, com estranhos, nunca aconteceu.

No nosso caso, acho que o machismo e a desigualdade de gênero pesaram mais até aqui. Somos duas mulheres e não uma, nem duas, nem três, mas MUITAS vezes percebemos estar sendo tratadas por homens, em diferentes situações, com aquele ar de “deixa que isso eu resolvo isso pra vocês porque, né, coitadas, vocês não têm um MACHO pra ajudar”. Não, nunca ninguém disse isso verbalmente – a não ser nossos amigos bestas quando querem nos zoar e se oferecem pra abrir uma lata de palmito ou apertar um parafuso, e a gente (só) aceita a brincadeira porque esses que brincam é porque poooooodem, rs! Mas já percebemos em várias situações o machismo rodear uma conversa, especialmente quando abordamos temas do nosso relacionamento que usualmente envolvem a participação masculina.

Uma troca de pneu, um problema técnico na casa, um defeito no computador, uma necessidade de carregar algo pesado, uma discussão com um fornecedor mais exaltado, um problema complexo de solucionar. E eu nem costumo falar nada, a não ser que a pessoa exagere, e aí ouve mesmo um “aqui em casa todo mundo faz de tudo, e o que uma não dá conta a outra dá!”. Eu sei, chega a ser idiota ter que explicar – tô achando isso até ao escrever aqui… Mas o fato é que às vezes acontece, e na maioria delas a gente, por motivos de não exercer a força maior, engole. Só que nesta semana aconteceu de novo.

E foi feio demais…

Estamos no meio de uma negociação da venda da nossa casa e eis que encontramos no caminho um macho-alfa-de-camisa-polo-falsificada-se-achando-o-cara-o-dono-da-verdade-o-fodão-pica-das-galáxias. Além de ser muito grosso, xucro, extremamente inconveniente e de inteligência, digamos, não avantajada, ele nos desrespeitou. Não especificamente por sermos mulheres ou gays. Mas fazendo aquele básico mansplaining, deixando claro que nossa corretora mulher não sabia das coisas, tratando a gente como se fôssemos completamente ignorantes, desentendidas de mundo, de regras, de contratos, de vida. E se achando, MUITO, se colocando num pedestal. Um que eu DU-VI-DO que ele teria erguido se tivesse outro macho-alfa ali à sua frente.

E ISSO ME EMPUTECE! Mais do que devia, com certeza, porque apesar de estar cuidando do meu autodesenvolvimento ainda não cheguei nem perto do que quero ter de inteligência emocional pra lidar com seres desse tipo. Mas o fato é que em pleno 2019, eu acho um enorme absurdo isso ainda acontecer. Ser vista como inferior, ser considerada mais burra, ter meu casamento visto como incompleto porque falta um homem pra resolver coisas? AHHHH, faça me o favor!! ISSO É PRECÁRIO, dá nojo.

Ontem, depois de perder mais neurônios (não queria!) e ganhar mais cabelos brancos (queria! to amando os meus!) por causa desse sem noção, estava completamente raivosa, e fui me acalmar. Conversei com a minha mulher, que sempre consegue me colocar nos trilhos com sua sabedoria – que #mulherãodoóvulo, viu?? – conversei com Deus e antes de dormir fui fazer uma meditação guiada pra “liberar um sentimento ruim”. E sabe o que ela me mostrou? Que esse sentimento que estava me fazendo mal, o inconformismo, que me tira do eixo e me faz ter raiva de outro ser humano, pode ser transmutado e usado para o bem, pra “não me conformar com este século” machista, e tomar atitudes não raivosas, mas sensatas.

Como escrever aqui este relato, deixando ao final dois #recadinhosdocoração!

Mulher, NÃO PERMITA ISSO COM VOCÊ!

Você é sábia SIM, autossuficiente SIM, capaz SIM, inteligente SIM, e tem total controle da sua vida sem PRECISAR de um homem pra “te ajudar” nisso ou em qualquer coisa que seja. Você pode, claro, SE QUISER, ter um companheiro na caminhada, mas pra andar junto, não à frente – ps.: cado esteja em dúvida, uma companheira funciona muuuuito bem também, viu? 😉

Homem, Já chega!

Atitudes como essas não têm mais vez! Não em 2019, não em um mundo moderno, com oportunidades cada vez mais iguais para todos, não num mundo em que pais estão participando da educação de suas filhas, e ajudando a formar mulheres incríveis que merecem ter direitos iguais. Se você não se julga um cara machista, o recado continua servido por dois motivos: lá no fundo, ainda que bem fundo, você pode ser machista sim, mesmo sem saber, e pode estar tendo atitudes que parecem inofensivas, mas, acredite, NÃO SÃO; e segundo que todo homem tem pelo menos um amigo sem noção como esse indivíduo que citei aqui, e se ele falar um absurdo perto de você e a sua escolha for não corrigi-lo “pra manter a amizade”, estará sendo conivente – aka “machistou” junto! 😉

Recado dado, desabafo feito, inconformismo transmutado. Bola pra frente, que atrás vem muita mulher fodástica e que merece ter uma sociedade mais igual! 💪

Beijo nosso pra você! 😘
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2 comentários em “Não, a gente não precisa de um homem!

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