Uma caixa, lembranças expostas, muitas lágrimas, uma fogueira: passado!

Sempre fui apegada, muito apegada, a lembranças, objetos que ganhei, fotos, coleções, coisas que pegava em viagens. Lembro-me de umas férias em que resolvi fazer um álbum com as diferentes folhas das árvores que encontrava caídas no chão. De figurinhas também fazia vários, mas, como boa índigo que logo se cansa de uma mesma atividade, quase nunca completava… Os bilhetes e cartões que ganhei também guardei. TO-DOS. Nunca consegui jogar fora, à exceção de uma coisa ou outra de pessoas que não eram tão próximas, e, ainda assim, com dor no coração.

E aí que, nesse último processo de mudança, eu resolvi abrir essas minhas caixas com “antiguidades pessoais”. E tive algumas decepções, algumas surpresas e algumas até então inimagináveis decisões! Foram fortes emoções vividas em torno de duas caixas, e na companhia do #meufilhoteJoão, que pela primeira vez teve contato com algumas coisas específicas do meu passado – que de muitas formas é o dele também!

Guardado em vão, que decepção!

A maior decepção que tive foi ao ver a QUANTIDADE de coisas NOVAS, ou seja, não usadas ou bem boas ainda, que encontrei. Cadernos que usava pras amigas escreverem bilhetinhos com pouquíssimas folhas escritas; canetas, borrachas, clipes e uma série de materiais escolares coloridos que amava levar pra escola, todos funcionando; envelopes e selos pra mandar cartas intactos. Isso tudo sem falar na caixa das coisas usadas no meu primeiro casamento, como o véu, a grinalda, o sapato, todos usados, obviamente, um dia só! Até uma caixinha com todos os grampos que prenderam o meu looongo cabelo no coque de noiva eu encontrei! E conforme ia tirando aquelas coisas da caixa, meu coração ia sentindo dor, se envergonhando, se entristecendo.

“Quanta gente poderia ter usado isso se eu tivesse dado! Quantas meninas adorariam esses caderninhos coloridos! Quantas crianças nem tem material escolar! Quantas noivas se casaram sem véu nem grinalda por não poderem pagar…”, pensei. O mais fácil de resolver foram os materiais escolares. O João estava propositadamente comigo nesse desencaixotamento, porque eu tinha um plano que vou contar mais abaixo. E adorou o mini grampeador, as lapiseiras intactas, as borrachas de sapinho verde (quem lembra delas??), os clipes de plástico em cores fluorescentes que mais serviam pra fazer pulseira que para prender papel mesmo (lembrou também? Tá velh@ então! rs). Mostrei como a gente costumava usar e logo ele foi fazendo a sua pulseira. “Vou levar pra dividir com meus amigos da escola! E vou falar pra eles que são coisas que estavam numa máquina do tempo e vieram diretamente do passado”, ele disse enquanto buscava o estojo e começava a ajeitar organizadamente – como bom virginiano – os itens novos todos.

E eu ali, ainda decepcionada comigo mesma, por ter achado que era mais interessante guardar aquilo tudo do que usar. Mas aí, com a experiência que ganhei durante esse processo todo de desenvolvimento pessoal, me dei a chance de perguntar: o que foi positivo em ter guardado? Pela lembrança em si, a maioria das coisas não fazia sentido, porque não me traziam uma grande alegria. Mas pensei que aquela era a chance de passar para o meu filho não apenas coisas “vindas diretamente do passado”, mas também ensinamentos sobre a importância de DAR O VALOR CORRETO AO PASSADO! Não que o João precise tanto, tô pra ver criança mais desapegada, rs. Mas foi legal conversar com ele sobre estar me sentindo mal e traduzir o sentimento em exemplos práticos da sua realidade, como a importância de não ficar com brinquedos que não gosta mais.

Além disso, foi uma chance de abrir mesmo meu passado pro meu filho, mostrar cartinhas que recebi, como eu e minhas amigas conversávamos, os bilhetinhos de amor que meninos me mandaram, kkkk. Com as coisas do casamento (e já vou chegar na parte do álbum, cartões e uma decisão forte que tomei), vi que ele também achou estranho estar tudo intacto e guardado, perguntou inclusive se eu pretendia usar de novo se eu e a “Honey” fizéssemos um “casamento com festa”, rsrs. Falei que era mais como lembrança, mas que me sentia mal por ninguém mais ter usado coisas tão bonitas. E foi dizendo essa frase e pegando na mão o sapato que a borrachinha do salto, feita de borracha, se desfez, esfarelando igual farofa e sujando tudo em volta de onde estávamos. Realmente COISAS NÃO FORAM FEITAS PARA FICAREM GUARDADAS!

E os aprendizados todos que vieram com isso ainda demoraram pra acabar. Porque no dia seguinte uma presilha tic tac que estava perdida no saquinho de clipes coloridos que o João levou pra escola rendeu uma situação incialmente constrangedora, mas da qual ele saiu muito bem e ainda me encheu de orgulho. Sobre isso contei num post do Instagram que você pode ver aqui.

Surpresa, tem muita certeza!

Sabe quando você tem uma memória meio vaga sobre uma questão da sua infância, mas não tem certeza se as coisas foram de fato como você se lembra? Então, eu tinha isso em relação à quantidade de “amor em forma de papel” que tinha recebido na vida e mais do que isso, do que exatamente tinha sido desejado pra mim… Minha família é muito afetuosa e sempre teve o hábito de mandar cartões, escrever bilhetes, fazer dedicatórias. “O cartão é mais importante que o presente”, meus pais diziam, dizem até hoje, aliás. Foi com eles que aprendi a importância de escrever o que sentimos pelo outro, e não apenas dizer, porque as palavras ficam marcadas. E numa infância sem internet, computador e celular como foi a minha, o papel era mesmo a única forma de registrar isso. Pois quando abri a caixa, que surpresa gostosa foi perceber que de fato tive essa infância/adolescência inundada por cartões, cartinhas, bilhetes, que estavam todos ali pra confirmar minha memória.

De cartões de Natal daqueles comprados prontos, mas sempre com uma mensagem pessoal escrita, a um cartão de aniversário gigante, dizendo que queriam que minha felicidade “fosse além do que pudesse sonhar”, passando por cartas com pedido de desculpa por alguma briga boba. E sabe o que foi mais interessante? Perceber o quanto da Julie de hoje, mais segura de si, determinada a ser ela mesma e a ter uma felicidade “além da que possa sonhar”, foi justamente incentivada ali, pelos meus pais e irmão, minha família mais próxima. Eu falo bastante aqui que sempre me senti muito diferente deles três, e é verdade! Mas consegui perceber, ao abrir aquela verdadeira caixa de pandora, que talvez eles também percebessem essa diferença, ainda que não conscientemente, e se esforçassem para me desejar a felicidade, ainda que talvez imaginassem que ela seria diferente da deles… Sem contar a quantidade de “estamos orgulhosos” escrita de formas, em épocas e por razões diferentes. Achei, por exemplo, a faixa enorme que ergueram no dia da minha colação de grau quando meu nome foi chamado, com os dizeres: “JULIE QUERIDA, PARABÉNS! ESTAMOS ORGULHOSOS DA NOSSA JORNALISTA! TE AMAMOS MUITO”, seguido dos nomes dos meus pais, irmão, avó, noivo “e amigos” (tem imagem dela no mosaico abaixo).

O nosso passado realmente influencia muito do que nos tornamos no futuro, e por mais óbvio que isso seja, às vezes nos esquecemos disso. E não entendemos por que algumas coisas são mais fáceis pra gente fazer do que pra maioria das pessoas, enquanto outras são tãaao mais difíceis. Eu sempre senti muito orgulho das coisas que conquisto, não tenho problema em elogiar minha própria comida e quando me acho ph0d@ numa coisa me acho ph0d@ mesmo! E, características leoninas à parte, deu pra ver que isso sempre foi incentivado na minha trajetória. Nosso repertório de “sei como agir aqui” é formado lá atrás, e fica guardadinho numa caixa à qual a gente nem sempre tem acesso – seja por não ter sido traduzido em cartões e mantido como lembrança ou por não conseguirmos acessar nosso poderosíssimo subconsciente mesmo… Mas isso me fez ver a importância de guardarmos, SIM, algumas coisas do nosso passado para nos acompanharem ao longo da vida, ainda que, depois de vistas, voltem a uma caixa – bem menor, é verdade! – e fiquem armazenadas num depósito – que graças a Deus meus pais têm na garagem deles! O fato é que foi importante abrir e ler tudo, poder mostrar pro João, fazer uma verdadeira peneira do que “brings me joy” e o que não me traz alegria nenhuma – Marie Kondo, I love you por ter me ensinado isso! – e escolher manter comigo o que, quem sabe daqui a mais uns 20 anos, não vai ser reaberto e me trazer novas lições…

MAS uma outra seção me fez tomar outra decisão…

Quando cheguei na caixa maior das coisas do casamento – a pequena só continha o “kit noiva”, kkk –, me deparei com um outro cenário. Sabia exatamente o que queria ao abrir aquela caixa junto com o João: queria que ele visse o álbum do meu casamento com o pai dele, o convite, algumas outras fotos como as da lua de mel e de viagens que fizemos com amigos nos anos antes dele nascer. O João já tem total clareza de todo o processo da separação, já conversamos várias vezes sobre como foi importante eu e o pai dele termos nos casado e como ele foi fruto de um amor muito bonito, que não acabou, apenas passou a existir de uma forma diferente, mas que ainda é muito grande. Mas ele nunca tinha visto esse tal casamento. E provavelmente a graaaande maioria das mães na minha situação não mostraria. “Pra quê? Não vai despertar sentimentos difíceis nele?”, talvez algumas amigas tivessem me dito se eu tivesse consultado alguém sobre fazer isso ou não. Mas não consultei ninguém. Nem minha esposa, nem o pai dele. Porque essa era uma coisa que EU sabia que queria, PRECISAVA fazer com o meu filho. Faltam menos de quatro meses para a casa oficial dele deixar de ser a minha, e eu não me sentiria congruente comigo mesma como mãe se ele fosse embora antes de ter um contato maior com essa história que foi também o começo da dele.

Então lá fui nessa jornada, que, fácil, não foi. Meu coração acelerou quando abri a caixa e fui mostrando o convite – que ele leu todinho –, algumas unidades da vela que foi entregue como lembrança – e que ele já tinha visto em casa, mas não sabia que era disso, rs –, e algumas várias montanhas de papéis com orçamentos, folhetos, listas de convidados e uma série incontável de coisas que foram providenciadas para um casamento que teve quase 500 pessoas. Muita coisa, claro, joguei no lixo direto, afinal pra que precisava de um orçamento de DJ feito em 2002 me acompanhando, né? Rs. O bicho pegou quando cheguei no álbum. Abri e ele me viu de noiva. Pela primeira vez. Aos 10 anos. E talvez você não se lembre de quando foi a primeira vez que viu uma foto do casamento dos seus pais, mas se eles forem tradicionais com certeza foi beeem antes disso. Ele passou atenciosa e vagarosamente por cada uma das páginas, ficou muito, MUITO inconformado com como as pessoas mudaram – leia-se ENVELHECERAM – e nem reconheceu uma parte dos tios e familiares com que convive até hoje. Também ficou impressionado com a quantidade de gente. E com como “o papai tinha muito cabelo” e “o vovô tinha cabelo preto”, rs. Eu ria junto e procurava disfarçar o fato de que queria muito saber o que estava se passando pela cabeça e coração dele ao ver tudo aquilo.

As risadas aumentaram quando fomos para o álbum da lua de mel e eu percebi o quaaaanto parecia uma criança! Me casei com 21 anos e, sendo baixinha, sempre aparentei ter menos idade (algo que hoje vira vantagem, heheh), mas não me lembrava de parecer tão mais nova nessa época! Brinquei várias vezes com ele dizendo a frase “cadê a mãe dessa menina? quem deixou ela viajar sozinha”, e ele riu pra caramba. Faltava um álbum de uma viagem de mochilão pela Europa que fizemos em 2006 com um casal de amigos (hoje também separados e felizes em novos casamentos!), da qual eu sempre conto coisas e que ele estava curioso pra ver. Mas estava tarde, ele precisava dormir, e eu, absorver tudo aquilo. Abri então só uma última caixa menor, que para minha surpresa continha todos, TODOS os mais de 500 cartões que recebi junto com os presentes de casamento. Pois é. Em 2003 eles não eram enviados por e-mail numa frase digitada junto com o presente que os convidados escolheram online e que na verdade só vai virar um crédito na loja. Era preciso ir mesmo até a loja, pegar a lista impressa de presentes, escolher um e pedir pra entregar na casa da noiva, que recebia feliz junto com um cartão escrito à mão. No meu caso, recebi a dica de escrever nos próprios cartões qual foi o presente recebido, pra agradecer depois. E qual não foi minha surpresa quando, sentada ali no quarto do meu filho, percebi que muitas daquelas coisas tinham me acompanhado até dois dias atrás, quando fizemos um bazar e vendemos praticamente todas as coisas da nossa casa, como contei num outro post do Insta!

“Bandeja de prata”, “duo de castiçais”, “conjunto de chá branco e azul”, “vaso de cristal”, “jogo de pratos de vidro”. Coisas que duraram 16 anos e dois casamentos na minha vida, e que naquela segunda-feira após o bazar já estavam nas casas de várias outras pessoas. Se eu chorei? NÃO! Pra falar a verdade, foi bem o contrário, sabe? Eu abri e li alguns desses cartões, que desejavam os básicos “felicidades aos noivos”, “que vocês sejam muito felizes”, “Deus abençoe esse novo lar que começa” etc. etc. e percebi que a grande, enorme mesmo, maioria dessas pessoas não estava mais na minha vida. Mais que isso, algumas delas eu nem conhecia, pois eram amigos dos meus pais ou da família dele. E mais ainda, várias só foram nossos amigos enquanto durou o casamento. Nós frequentávamos uma igreja, como contei no texto Dois casamentos e uma felicidade, e após a separação enfrentei enfrentamos, tanto eu quanto ele, muitos preconceitos por parte das pessoas, que não conseguiam se conformar com um fim que não esperavam. E ali, lendo aqueles cartões, que, fazendo um resumão geral, desejavam bênçãos de Deus e felicidade, eu só pensei: “Eu sou feliz e abençoada hoje. Ele também é. Conseguimos exatamente isso. Ainda que o ‘juntos’ não tenha permanecido. Então tá tudo certo e o ciclo se fechou com a ida dos presentes para outros lares. Que eles sejam felizes lá!”.

Não me lembro do que o João achou dessa parte porque realmente me transportei pra outra dimensão em pensamentos, mas ele fez uma pergunta que foi chave pro desfecho daquilo tudo: “os cartões você vai guardar?”. “Não!”, saiu a minha resposta sem nem pensar. Inicialmente, quando sabia que queria abrir a caixa e mostrar pra ele as coisas do casamento, pensava em depois me desfazer dessa parte da minha vida, já que o que realmente importa é o que está sendo vivido hoje, o presente, do qual o pai dele faz parte, inclusive. Durante a situação, no entanto, ao ver o quão importante estava sendo ter acesso a aquelas lembranças todas, considerei guardar tudo de volta no lugar em que estava mesmo. Mas depois dos tais cartões vi que era um excelente momento de exercer aquilo que láaa em 2007, quando comecei minha terapia, percebi que precisava desenvolver: EQUILÍBRIO! Fazia sentido manter o álbum, algumas outras fotos, UM convite do casamento (não vários não enviados, como tinha). Mas cartões desejando felicidades para um casal que não é mais casal e conseguiu ser feliz no final das contas? Desnecessário. “Isso tudo vai ficar só na memória”, completei a resposta ao João.

Passado queimado e espalhado não morre

A ideia veio da Marry: fazermos uma fogueira e queimarmos essas coisas que foram importantes no nosso passado, mas que não queríamos carregar pro futuro. Pode parecer uma medida drástica demais, meio “sem coração até”. Mas a verdade é que foi muito, muito especial fazer isso. Como um encerramento de ciclo mesmo, em que a gente pôde ter um contato profundo com o passado, ver como ele se refletiu no presente e, conscientemente, escolher não levá-lo conosco pro futuro, e sim… deixar ir! E da melhor forma, se espalhando pelo universo em forma de fumaça e cinzas! A gente foi criado com uma conotação muito negativa do fogo, como sendo algo que destrói, elimina. Mas a verdade é que ele renova, encerra uma fase “sólida” de alguma coisa e transforma na gasosa, que não morre, simplesmente se espalha pelo ar, alcançando o universo todo!

Acho lindo isso, foi por esse pensamento inclusive que cheguei à conclusão de que quero ser cremada quando morrer, não enterrada. Liberdade é um dos meus maiores valores, quero ser do mundo, de todo lugar e de lugar nenhum, hoje e pra sempre. E começar fazendo isso com coisas que foram muito importantes e significativas pra mim foi realmente especial! Junto com os cartões, queimei folhas de cadernos usados na faculdade, que não voltarão a servir de consulta, papéis que foram importantes mas perderam a utilidade e até algumas fotos de épocas do passado que um dia já fizeram sentido, mas não representam mais o que quero pro meu presente e futuro. Junto com a fogueira, oramos, cantamos, dançamos e agradecemos por cada uma daquelas coisas e pessoas que passaram na nossa vida e contribuíram para o que somos hoje. Foi uma verdadeira consagração do nosso passado ao lugar a que ele de fato pertence agora: o passado!

Eu sei que existe uma chance muito grande de você estar lendo e me condenando por isso tudo, principalmente se for alguém mais apegad@ como eu era tenho tentado deixar de ser. Nesse caso, só posso lhe dizer que “tudo tem o seu tempo”! Eu nunca imaginei que o tempo do desapego nesse nível chegaria pra mim, mas chegou! E eu escolhi aceitar e agradecer, crendo que “o momento presente é SEMPRE perfeito, porque Deus é perfeito sempre”. Se essa é a sua hora de não compreender e até “se revoltar” com a minha atitude extrema, “tá tudo bem!”, viva isso e pode até me escrever contando por que pra você isso seria tão difícil e inimaginável de fazer – com respeito sempre, por favor, obrigada, rs.

Mas passado pode precisar ser chorado…

Pra terminar, não vou deixar você com aquela sensação que fiquei de pensar o que estaria passando pela cabecinha do João, e contarei da conversa que tivemos logo antes dele dormir. Ele chorou, e eu junto, claro. E quando perguntei o que estava sentindo, ele me disse que achava triste ver que pelas fotos eu e o papai estávamos felizes juntos, mas que ele não estava lá pra ver isso. Eu, extremamente mexida por dentro, com toda a culpa que qualquer mãe sentiria no meu lugar, mas muito focada nele, perguntei então, pela primeira vez depois de sete anos de separação, se ele já tinha se sentido de alguma forma culpado pelo nosso casamento não ter continuado. Ainda chorando, ele disse que sim, e que às vezes achava que nós tínhamos escolhido ficar mais felizes separados pra ele poder ser feliz – porque eu sempre disse que eu e o pai dele só pudemos ser capazes de criar um menino lindo e feliz porque nos demos a chance de sermos felizes também. Choramos juntos, eu disse que compreendia a tristeza dele, que ele tinha todo o direito de sentir tudo aquilo, mas que, a verdade era bem o oposto. E usei então uma ideia que já tinha passado pela minha cabeça algumas vezes, mas nunca tinha colocado pra fora:

“Na verdade, filho, ao invés de ser o motivo de nos separarmos, você fez o contrário, e nos uniu pra sempre! Porque quando um casamento acaba antes de ter filhos, na maioria das vezes o casal não mantém a amizade, perde o contato e, dependendo do caso, nunca mais se encontra! Eu mesma tenho amigas que se separaram há mais de dez anos e nunca mais viram o ex-marido. Só que eu gosto muito, muito mesmo do papai, e sei que sofreria demais se não convivesse mais com ele depois da separação. Então sou grata por você ser o elo que nos une e que vai permitir que a gente seja família pra sempre! Por isso, toda vez que você for pensar no seu papel nessa separação, lembre-se disto: você veio justamente para manter eu e o papai unidos mesmo depois do casamento acabar!”

E aí ele chorou mais ainda, e me abraçou, e assim ficamos uns minutos, chorando abraçados. E quando ele parou e enxugou as lágrimas para falar, me disse: “Esse choro de agora é de alegria! Porque eu tô feliz por ter um pai e uma mãe que me amam tanto e uma família que nunca vai se separar”. É isso! O passado passou. Os caminhos que sonhei, pra mim, pro João, pra vida, podem não ter se realizado como o imaginado. Mas o presente é de alegria e felicidade. Para todos! E o nosso futuro, não importa onde e como estejamos, será assim mesmo, JUNTOS, unidos pelo amor! O tempo agora é de renovação, de deixar ir e de deixar vir! Com a certeza de que não há barreiras que impeçam esse passado de servir como poderosa ferramenta para que, no presente de cada dia, possamos construir um FUTURO BRILHANTE!

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