SER mãe ou DAR mãe?

Eu li/ouvi na semana passada o livro “Pais inteligentes criam sucessores, não herdeiros”, do autor Augusto Cury. Não tinham me indicado nem estava na minha lista, mas passando pelos audiolivros do app que uso, o nome me chamou atenção. Justamente porque o meu compromisso número 1 para este ano é ser a MELHOR MÃE POSSÍVEL para o #meufilhoteJoão.

Missão que parece IMPOSSÍVEL?

E se eu te contar que não? Uma das partes que mais me impactaram no livro dizia como pais que trabalham muitas horas por semana para “dar o melhor para os filhos” acabam se surpreendendo lá na frente, quando descobrem que os filhos não reconhecem esse esforço feito. E isso tem um motivo: eles prefeririam ter ganhado muito menos coisas DOS pais e tido muito mais tempo COM os pais.

E foi passando esse carnaval todinho com o João que eu realmente consegui perceber isso, enxergar isso como real e possível. Pelos motivos que contei num post do Insta, acabamos ficando só eu e ele sem muitos planos para o feriado. E isso acabou sendo o cenário ideal pra que eu pudesse apenas SER mãe COM ele.

Fizemos passeios como cinema e comer fora. Fizemos atividades em casa, como ver filmes e jogar jogos. Fizemos até uma pequena viagem, que em breve vai virar já virou vídeo no canal, porque foi a primeira vez que fomos acampar de barraca só eu e ele – e fiquei orgulhosa porque ela não caiu e deu tudo certo! Uma viagem simples, por menos de R$ 200,00, o que não pagaria nem uma hora nos grandes resorts durante o carnaval. Mas que nos permitiu SER JUNTOS, e fazer algumas coisas muito legais, mas também FAZER NADA!

Os resorts são muito procurados pela mega estrutura que oferecem para as crianças. Estrutura essa que acaba servindo para entreter os pequenos enquanto os pais fazem as suas atividades ou têm o seu descanso. E não estou julgando muito menos condenando isso, acho é ótimo quando tenho a possibilidade de cuidar só de mim, especialmente em viagem. E sou essa mãe bastante desprendida, que adora ver o filho se divertindo sozinho e aproveitar pra se divertir sozinha também, como já contei no texto A mãe que sou. Só estou dizendo que pagar um hotel caro e com uma opção de diversão atrás da outra não necessariamente significa “dar o melhor para os nossos filhos”. Para nós pode ser, mas para eles talvez não. Entende? Porque a presença, o tempo com os pais é o que no final da vida eles vão se lembrar mais de terem tido – ou de terem desejado ter…

A simplicidade une!

E isso é o que eu pude experimentar com ele nessa micro viagem mega simples. À noite na barraca, por exemplo, comendo salgadinhos daqueles de pacote – o “jantar” oficial de nossos campings –, a internet não estava boa para vermos um filme no iPad, como tínhamos programado. Ficamos um tempo discutindo sobre o que faríamos no lugar e o João disse a seguinte frase: “é só pensar o que a gente faria se estivesse num lugar totalmente deserto”. Veja o poder disso! Eu, como mãe, estava caçando algo pra fazer, pra entretê-lo, pra substituir o iPad, enquanto ele focou no mais básico de tudo, no não ter nada de opção. Então sugeri brincarmos de “verdade ou desafio”, o mais antigo e menos tecnológico jogo que conheço, rs. E não poderia ter sido melhor, porque não só nos rendeu umas boas risadas com os desafios, mas também provocou uma conversa profunda sobre futuro, sobre a separação que enfrentaremos neste ano, sobre sentimentos e expectativas! Coisas que jamais teriam vindo à tona se estivéssemos distraídos com qualquer outra coisa.

Um outro exemplo, ainda mais forte e que me marcou profundamente, foi uma cena que aconteceu num momento de silêncio e de se deixar curtir o nada. Antes, vale dizer que, ao contrário do que possa parecer, a monotonia passou longe nesses dois dias de camping. O lugar era lindo e tinha, sim, estrutura. Um campo de futebol, mesa de sinuca, parquinho, lago com caiaque, e fizemos de tudo um pouco. Nos divertimos muuuito no toboágua também – ele desceu no total 150 vezes em dois dias 😳 (eu tb desci, mas umas 30 vezes “só” 😜). Mas também “fizemos nada” na piscina natural no segundo dia. Numa parte mais afastada, ela era calma, cercada de árvores e estava sempre vazia – porque competir com um toboágua, né… Mas curtimos um tempo ali, nadamos, brincamos, boiamos, andamos abraçados. Depois fomos descansar perto da cachoeirinha que abastece a piscina. E ficamos ali, eu deitada numa pedra, ele deitado no meu colo, os dois ouvindo a água cair e observando as árvores, o céu, a natureza toda, durante uma meia hora pelo menos.

Foi nessa hora, com esse cenário maravilhoso, nesse momento de paz absoluta, que rolou um diálogo totalmente espontâneo, interrompendo só o barulho da água e dos pássaros:

– Filho, eu te amo tanto! Obrigada por existir!
– Também te amo muito, mamãe! Eu que agradeço por ter me feito existir! (risos)
(Dei um abraço mais apertado. Ele continuou…)
– E obrigado por não me dar tudo que eu te peço!
(Fiquei surpresa!)
– Hein? Como assim?
– Ah, é que eu sei que quando você diz não pra mim eu aprendo, então to agradecendo por me ensinar!
(Eu com a voz embargada, uma lagriminha caindo)
– Imagina, filho, eu aprendo muito com você também!

Jamais poderia ter esperado por essa!

As crianças são surpreendentes. O que é de verdade importante pra elas muitas vezes nem passaria pela nossa cabeça de “mãe-nunca-satisfeita-com-a-mãe-que-sou”. As coisas que as marcam podem ser as que nem percebemos que estávamos fazendo. E as que elas vão nos agradecer por termos dado – ou justamente por NÃO termos dado – tendem a ser as que foram menos pensadas. Mas isso tudo só é surpreendente porque nós, adultos, não estamos acostumados com o valor do simples, do básico, do realmente necessário.

Essa conversa + o livro + o tempo juntos provaram pra mim que preciso seguir nesse caminho em direção ao simples em TODAS as áreas da minha vida. Já fiz o destralhe do meu armário e estamos doando e vendendo quase tudo na casa. Mas percebi que preciso “minimalizar o ser mãe” também! Porque ficamos sempre tão preocupadas e culpadas como mãe, tentando FAZER e DAR sempre o melhor pra eles, que nos esquecemos de que o essencial é SER.

É só isso que o João precisa, que eu SEJA MÃE dele, sendo a Julie que sou mesmo, no sim, no não, na viagem, em casa, nas simplicidades e nas complexidades da vida! E isso, além de ser muito mais fácil do que “tentar ser a mãe ideal”, é muito, MUITO MAIS GOSTOSO. E autêntico. E recompensador! E eu sugiro que você tente. Com o seu filho, com a sua família, com os seus amigos, com o seu trabalho, com a sua casa, com a sua vida!

O nosso momento mais sublime e mais alguns dos tantos abraços que demos. Uma opção sempre disponível, barata e que, acredite, pode valer MUITO para os nossos filhos!

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