O meu Ano Novo e o Novo do meu Ano

Eu sei, já passamos da metade de janeiro. Mas tá tudo tão novo neste ano que ainda estou tendo dificuldade de voltar aos velhos posts aqui. Pra começar, estou trabalhando com o novo canal por onde vamos falar mais dessa nossa Vida de Índigo: YouTube. Sim, sim, venci todos os meus preconceitos, sobre os quais inclusive falei em textos anteriores aqui, me enchi de coragem, encarei a vergonha de frente e gravei os primeiros vídeos! A estreia do canal será no dia 01/02, mas ainda vou dar mais detalhes disso, aqui e no Insta. No momento, o que quero neste texto é contar sobre outro preconceito que venci neste ano novo, que foi… o próprio Ano Novo!

Tempo de festa, alegria, fogos, estar com amigos, pular ondinhas, brindar, beber, comemorar com gritos e uma barulheira só. Certo? Então, não necessariamente. Era assim, com tudo isso aí e mais o que tivesse direito, que eu imaginei que passaria o meu último Revéillon morando no Brasil. Mas aí que 2018, como falei no último post, foi o ano de pôr fim em muitas certezas, de mudar de direção, de experimentar coisas novas e aceitar mudar. Por isso é que, quando foi dando vontade de fazer uma coisa bem – mas beeeeem – mais low profile, calma e totalmente diferente de tudo que imaginei pra uma passagem de ano, eu resolvi ouvir a mim mesma, quebrar preconceitos com o diferente – afinal, que coerência teria eu se não fizesse isso, não é verdade? Então, lá fomos nós, passar o Ano Novo o momento mais festejado no mundo… dentro de um templo budista, meditando, EM SILÊNCIO!!

E não, não somos, nem “viramos” budistas. Somos cristãs, protestantes, criadas na igreja Presbiteriana, atualmente frequentando a Batista, mas, acima desses rótulos, temos em comum uma mania: VEMOS DEUS EM TUDO! A primeira vez que fomos a um templo budista, no começo do ano passado, eu experimentei uma sensação de paz muito grande, e me senti expandindo o meu relacionamento com Deus. Era como se ele estivesse em mais um lugar, em mais um tipo de devoção, em mais uma religião. Alguns cristãos me chamarão de herege por essa última frase, eu sei. Mas passei da fase de me preocupar com isso um boooom tempo atrás, então, está dito. Acho, sim, que Deus não se manifesta só em uma religião. Justamente porque VEJO DEUS EM TUDO!! E se está escrito na Bíblia, inclusive, que ele é ONIPRESENTE, como não estaria presente numa cerimônia budista, ou católica, ou espírita? No meu ponto de vista, quando há pessoas orando/rezando/pedindo/agradecendo/louvando pra Ele, não importa o lugar, Ele está ali!

“Tão certo quanto o ar que eu respiro…”

“… tão certo quanto o amanhã que se levanta, tão certo como eu te falo e podes me ouvir. Deus está aqui!”, diz uma música que eu aprendi ainda criança na igreja e que no ano passado ouvi pela primeira vez fora desse contexto: numa playlist de mantras! Outra palavra com a qual tinha preconceito, por não saber o que significava, e que hoje sei que se trata apenas de afirmações de amor, bênção e alegria repetidas ao som de uma música. Ou seja, exatamente o que sempre cantei na igreja, e que só por se chamar “louvor” era “mais santa” – vai entender!

Contei isso pra dizer que quebrar esse preconceito com os mantras me deixou mais perto de ir a uma cerimônia budista – porque na primeira vez foi só visitação mesmo. Quando soube que na celebração de Ano Novo teria uma meditação guiada então, tive certeza de que era isso que queria. O tema: “Como receber o novo ano com harmonia”. Mais perfeito impossível! Então fiz a inscrição, em que indicava que devíamos chegar a partir das 20h30 e levar alguma comida – vegetariana, claro – ou bebiba – não alcoólica, claro. Lá fui eu, portanto, no último dia do ano, preparar o que chamei carinhosamente de “um bolinho budista”, rs. (No final do texto conto o que achei dele.) Como somos duas, fiz também batata-doce assada. No caminho, enquanto me maquiava e via fotos das pessoas já curtindo suas mais variadas festas, comentava com a Mari o quanto estava empolgada mas ao mesmo tempo apreensiva, com um certo medinho de como seria…

Nunca tínhamos ido àquele templo, não conhecíamos uma pessoa sequer que estaria ali e, tirando um programa em que estava escrito que haveria “uma meditação guiada, depois a palestra e em seguida as preces a Tara”, não fazia ideia do que ia rolar. Chegamos às 20h50, já estava escuro, o lugar era imenso e descampado e estava, PASME!, frio! Graças a Deus pelos casaquinhos que pegamos de última hora, porque look verão de todo Revéillon brasileiro não rolava ali. Ah, e já que estamos falando do look, fomos de havaianas, recém-ganhadas no Natal e combinandinho as duas – outra coisa que antigamente jamais usaria numa cerimônia na igreja, por exemplo, como contei recentemente num post no Insta. Era definitivamente um dia de quebrar pré-conceitos!

Meditação, ok! Preces? Hummm…

Depois de passarmos na administração pra pegar um crachá e andarmos um bom pedaço a pé, chegamos à porta do incrivelmentelindomaravilhososuntuoso templo. Tirando as construções de Gaudi em Barcelona e a Notre Dame em Paris, acho que nunca um prédio tinha me impressionado tanto! Igualmente bem impressionada fiquei com a recepção das pessoas, super atenciosas, e com o interior do templo, ainda mais lindo, com detalhes em ouro. E nós de havaianas. Problema? Nada! Tinha gente descalça, tinha monges e monjas com seus trajes de panos, tinha gente de vestidinho simples, tinha gente de salto e até um cara de terno e gravata! Diversidade, I love you, e em pouco tempo nos sentimos em casa.

Quando a cerimônia começou, nos levantamos para receber o mestre, que subiu naquele troninho fofo e – aparentemente – mega confortável que eles têm e sorriu um sorriso que era paz pura. Não, não acho que isso é porque ele seja tipo “mais evoluído” que outros seres humanos, mas sim por ele ter evoluído mais que outros seres humanos – entendeu a diferença? 😉 Deu boas-vindas, se apresentou um pouco, jogou conversa fora e… fez piadas! Tipo várias! Durante a noite toda – e por essa eu realmente não esperava! Outro preconceito, né, que monge tem que ser sério? PÁ, quebrado! A meditação guiada foi um verdadeiro bálsamo! “Inspirar o que quer pra 2019 e expirar o que não quer mais 2018” era a prática principal, permeada por algumas outras direções que ele ia dando. Com essa parte estou bem mais acostumada, e foi fácil, e delicioso – e necessário quando estamos falando do socorroquetirofoiesse2018 e do Deusmeajudeoqueseráde2019.

Na sequência veio a palestra – que para os protestantes seria a pregação –, em que ele falou sobre as duas asas que devemos ter para conseguir voar alto e alcançar uma vida plena: a compaixão e a sabedoria. Sobre a primeira, falou sobre como temos a tendência ao egoísmo, e que ao trocar o apreciarmos mais a nós mesmos por apreciar mais o outro, todas as outras realizações vêm depois. Citou Jesus e seu principal mandamento de “amar ao próximo como a si mesmo”, inclusive. Falou também sobre termos esse amor pelo outro sem preconceito, mas também sem apego, porque ninguém pertence a ninguém. Sobre sabedoria, disse que precisamos dela pra perceber que tudo o que vemos, vivemos e sentimos aqui na Terra é apenas uma aparência, porque o que realmente importa é o que temos dentro de nós, o que desenvolvemos no nosso interior e a única coisa que poderemos levar conosco na hora da morte: o nosso eu. Durante todo o tempo foi novamente amável, direto e engraçado. Terminou com duas frases extremamente impactantes, que anotei para jamais me esquecer, já na primeira pessoa:

“Qual o objetivo supremo e único, o sentido verdadeiro da minha vida? Sentir que FUI EU e que FUI FELIZ!” – um verdadeiro chamado para a autenticidade, não?

A segunda:

“O mundo e suas loucuras fazem com que os refúgios sejam muito necessários. Minha meta é me tornar isso, uma pessoa em que os outros podem se refugiar”

Depois de fechar a palestra com essa chave de ouro, ele se retirou pra voltar uns minutos depois, quando começariam as preces. Nessa hora aproveitamos pra tirar fotos e dar um passeio em volta do local. Até aproveitei pra abraçar uma árvore, de tão espiritualmente alimentada que estava me sentindo. E aí, quando retornamos e as preces começaram, rolou pela primeira vez um misto de sentimentos. Porque apesar de ter lido na entrada um folhetinho sobre a buddha Tara Verde, pra quem as preces estava sendo dirigidas naquela noite, e até achar legal o fato de ser uma mulher – alô, sagrado feminino que está bombando aqui dentro, na cabeça e nos projetos!! –, muitas das frases eram em outra língua, ou então citavam uma porção de deuses e outras divindades que eu não conhecia. E aí meu lado mais índigo questionador ficou se perguntando se devia mesmo falar aquelas palavras. No fim, algumas falei, outras não.

No momento mesmo da virada do ano, quando deu 00h00 do dia 01 de janeiro de 2019, o mantra que entoávamos dizia OM TARE TUTTARE TURE SOHA, que, este sim vinha traduzido, pedia “ao sagrado de Tara que nos liberte do sofrimento verdadeiro, que elimine todos os medos, que conceda todo o sucesso. E que possa o significado desse mantra enraizar-se na minha mente”. E aí, como cristã, que acredito já em muitas outras formas de espiritualidade, mas tendo todas concentradas em Deus, na minha cabeça foi a Ele que direcionei minha prece. A Ele, que concentra também o poder do feminino, pois é TUDO, pedi que me liberte do sofrimento, elimine os meus medos e me conceda o sucesso. E assim me senti completamente em paz. Até brincamos sobre isso na saída, eu e a Mari, porque no fim ela também estava com o mesmo pensamento, de “redirecionar” as preces para o Deus em que cremos! E advinha… tá tudo bem fazer isso!! Da mesma forma que talvez um católico ali estivesse pensando na Nossa Senhora ou algo do tipo. Porque Deus vê o coração! Ele conhece a intenção, o desejo e o que se passa na nossa mente, não o que está fora. Resumindo, foi lindo, e profundo, e espiritual, e abençoador. Tanto quanto se estivesse na igreja que frequento – com certeza bem mais que se estivesse numa festa com mil pessoas. E cabe um PS aqui pra dizer que, como falei no Insta, se no ano que vem eu decidir estar num festança, estarei. Porque o que importa é respeitar o SEU momento, e o meu foi perfeito ali!

Ao terminar, abraçamos as pessoas próximas desejando Feliz Ano Novo – a Mari fugiu de uns abraços, mas eu compensei! Kkkk – e depois fomos pra varanda, onde havia duas mesas enooooormes com as mais variadas comidas trazidas – porque sem festa eu fico de boas, mas sem comida, nem pensar, rs! Sobre o “meu bolinho budista”? Não posso dizer ao certo, não consegui comer, porque não sobrou. Mas ouvi o moço que pegou o último pedaço dizer que estava uma delícia, e isso já me fez feliz. Em contrapartida, comi tortas salgadas e doces, sanduíches, brigadeiros, bolos e uma série de outras delícias, como a famosa dupla morango com tâmara, que nunca tinha provado e… UAU! Foi definitivamente a cereja do bolo nesse Ano Novo zen tão peculiar e inesquecível, que me inspirou a lançar um desafio para 2019: fazer #UMACOISANOVAPORDIA! Estou postando tudo nos Stories do Insta, e vou ficar muito feliz se você for lá e se inspirar a também quebrar preconceitos e não esperar o próximo ano começar ou a segunda-feira chegar para quebrar preconceitos e experimentar o NOVO! 😀

Um compilado de imagens desse dia de preconceitos quebrados, experiências
novas e aprendizados incríveis que espero que reverberem por todo o Ano Novo! 

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