Eu também já pensei em me matar

Alerta: ESTA FOTO É UMA ENGANAÇÃO!

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E eu a escolhi pra acompanhar este texto justamente por isso. Porque ela é a prova de que um sorriso pode esconder uma depressão! O #setembroamarelo acabou faz tempo, mas eu fui tão impactada pela informação de que a cada 4 segundos uma pessoa comete suicídio, que quis aproveitar agora que o assunto corre o risco de esfriar pra contar da minha experiência com essa sensação de querer morrer.

Sim, eu também passei por ela, e não foi uma vez só. Sobre a minha primeira vez nessa situação eu contei no Instagram, foi quando o #meufilhoteJoão quase morreu e eu quis ir junto. Mas aqui, que posso me prolongar mais no tema, escolhi falar sobre a segunda, até já contei brevemente no post “O nascimento da minha luz”, mas como acredito na cura que há em compartilhar, senti que devia escrever aqui porque só há pouco tempo percebi uma grande lição que tirei disso dessa situação, que foi muito mais longa, mais densa e, principalmente, mais sutil, quase não me fazendo perceber que ela estava lá. E nessa foto ela estava…

Dia 18/08/17, meu aniversário de 36 anos!

Horas antes de tirar essa foto e comemorar com a minha família e amigos, eu deitei na cama e desabei. Já tinha ganhado o costume de, no meu dia, fazer uma lista dos motivos de gratidão por mais aquele ano de vida, mas nesse 18/08 eu simplesmente não consegui. Não via motivos pra comemorar, nem agradecer, olhava em volta e todas as coisas pareciam um enorme problema sem solução. A casa que me abrigava era na verdade uma grande dívida. Os trabalhos que eu tinha odiava, e os que eu tinha tentado fazer dar certo haviam fracassado. Me sentia cada vez mais desconectada da minha mulher, e até com meu filho, que seria o maior motivo de gratidão, eu sentia que não estava sendo uma boa mãe. Chorei, reclamei, praguejei. E pensei que, se era pra continuar assim, preferia nem fazer mais nenhum aniversário. Quem me conhece sabe o quanto sempre amei essa data e celebrar com toda a festa e alegrias que ela merece. Por isso, nesse dia em que renascia pra mais um ano, percebi que estava morrendo, e descendo os degraus de uma escadaria rumo a uma perigosa depressão…

E sair dela não foi NADA fácil.

Precisei ter muita força de vontade, mudar atitudes e costumes e me livrar de alguns comportamentos totalmente destrutivos. E não consegui. Não sem ajuda. A Mari, que teve nessa época todos os motivos do mundo pra se afastar de mim, porque eu realmente havia me tornado alguém insuportável, foi paciente, insistiu, não desistiu. Foi amorosa em alguns momentos e extremamente dura em outros, chegando ao ponto de me dar um xeque-mate: ou eu me esforçava pra sair daquele fundo do poço ou ela não tentaria me jogar a corda mais… Sim, bem dura… como eu precisava! E ela sabia. Da mesma forma, a minha melhor amiga Ana Paula, “my person”, como contei no post “Você tem uma pessoa?”, também foi fundamental nesse processo, puxando minha orelha mesmo estando a milhares de quilômetros de distância, pelo telefone, e me fazendo ver que se continuasse sozinha e resistindo, seguiria achando que estava nadando, mas morreria antes mesmo de enxergar a praia.

E aqui está a maior lição que tirei desses quase dois meses que levei para me reerguer e voltar a sentir amor e esperança na vida: nessas horas a ajuda não é uma opção, é uma necessidade! Simplesmente porque na depressão não temos condições emocionais e mentais para decidir o que é melhor, o que fazer, como agir, e muito menos pra dar a guinada pra sair disso. Portanto, PEÇA AJUDA! Dx marido, mulher, amiga, sócia, mãe, pai, filhx. E mais: se essa pessoa disser que você precisa de um médico, ACEITE! Mesmo sem concordar, mesmo contrariada. Se estiver no fundo do poço grite, e peça para alguém te jogar a corda. Eu não cheguei a precisar ser medicada porque “peguei a corda” a tempo, quando ainda tinha forças para usar meus braços e pernas para subir. Mas em muitos, muuuuitos casos isso não é suficiente e é preciso ser carregado mesmo.

ACEITE!!

Enxergue essa ajuda como um bote salva-vidas que parece frágil demais pra aguentar a tempestade e muito menos confortável do que o mar que você já está até achando gostosinho, mas que merece uma chance de tentar te salvar! Em junho, quando fiz a minha série de lives Alimente-se de Coragem comemorando um ano aqui do blog, um dos entrevistados foi o Diogo, um cara incrível que conheci dando uma carona pro Rio e que, além de jornalista competente e homem feminista, foi GRANDE o suficiente para pedir ajuda quando enfrentou uma crise de ansiedade e desenvolveu síndrome do pânico. A gente não é ensinado a pedir ajuda, já percebeu? Mulheres muito, homens mais ainda. Desde pequenas as crianças são aplaudidas quando fazem tudo sozinhas. Mas isso vai totalmente contra o que o ser humano mais precisa pra ser feliz: a conexão, o pertencer, o saber-se como parte de um todo em que cada um tem sua função, seu papel, e é bom em muitas coisas mas ruim em uma série de outras. E “tá tudo bem!”, porque é nessa hora que o próximo entra em cena para ajudar.

Eu tenho experimentado, neste momento da minha vida, uma profunda conexão com outras mulheres, um pertencer mesmo ao feminino e todo o poder que ele tem e nos foi roubado quando aprendemos erradamente que devíamos competir umas com as outras. Falei disso num outro post do Insta, aliás, e citei que essa competição é o que leva muitas mulheres, garotas até, a pensarem no suicídio como opção por não se sentirem “à altura das demais”. ISSO É MUITO SÉRIO, gente, e essa cura tem acontecido pra mim de uma forma tão linda que em breve volto aqui para contar como estou sendo transformada e dizer que você, mulher, também pode passar por essa transformação.

Mas, por enquanto, deixo aqui esse conselho a você, quem quer que você seja: não se deixe enganar, a depressão atinge todas as classes, cores, orientações sexuais, religiões e contas bancárias. E a vontade de se matar não chega do nada, ela vai sendo construída aos poucos, justamente quando negamos que há algo errado e recusamos aceitar ajuda dos que nos amam.

E por falar nisso, não posso encerrar esse tema sem repetir para a minha esposa: OBRIGADA, meu amor, por não ter desistido de mim, por ter ouvido o meu pedido de socorro mesmo sem que eu tivesse pedido, por ter me esperado, por ter usado o seu olhar pra não só melhorar, mas me salvar do meu próprio olhar distorcido de mim! “You saved me… in every way a person can be saved!” Eu amo você! ❤

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