O jardineiro é Jesus, e as árvores… será?

Na semana passada, passei uma manhã deliciosa no Jardim Botânico da minha cidade, Jundiaí. Fui até lá pra variar o local da minha caminhada de todas as manhãs, e a ideia era só sair um pouco da rotina, mas fui surpreendida por um pensamento e uma experiência muito fortes. O lugar é lindo, maravilhoso, com espécies de plantas das mais diferentes, e já tinha ido lá várias vezes nesses quase três anos de #vidadeinterior, mas dessa vez meu olhar foi totalmente outro. Logo que comecei a caminhar, me deparei com um cacto plantado em um gramado com vários outros tipos de plantas, meio “sozinho”, meio “perdido”, meio “deslocado”, meio “inconveniente” ali. E imediatamente isso me fez pensar em mim, em quantas vezes me senti exatamente assim, “diferente demais”, “inadequada” em um ambiente – e às vezes ambiente era minha própria casa. A partir de então, meus olhos passaram a ver todas as centenas, milhares de plantas daquele Jardim Botânico com um filtro, o filtro da multiplicidade e autenticidade da criação de Deus. Porque há plantas de TODOS os tipos…

Há as plantas cuja vida acabou de começar; e as que já tiveram a sua existência completa:

Há as plantas que sem querer formam corações e transmitem amor; e as que não desejavam isso, mas parecem espinhosas e transmitem medo:

Há as plantas que nasceram com o “verde-padrão”; e as que parecem ter desafiado as leis pra nascer com uma cor totalmente diferente das demais:

Há aquelas cujos resultados são um pouco estranhos de entender; e as que dão o fruto que todo mundo esperava mesmo:

Há as plantas que foram feitas para alimentar; e as que foram feitas para curar:

Há aquelas que começam estranhas, mas revelam verdadeiras obras de arte no topo; e as que começam bagunçadas e terminam… bagunçadas mesmo, rs:

Há as plantas que nasceram no lugar mais propício para se desenvolverem bem, com todos os recursos à sua volta; e as que foram contra todas as probabilidades e resistiram mesmo na pior das circunstâncias:

Há as que são unas e singulares em sua base; e as que são tão multi e plurais quanto é possível ser:

Há as plantas que são completamente únicas e parecem ter sido pintadas à mão; e as que não poderiam ser mais básicas e comuns.

Há as que foram podadas cuidadosamente, para que possam voltar a crescer mais fortes; e as que foram cruelmente cortadas pela raiz e nunca mais poderão voltar a ser quem são:

Há as que dão uma sombra enorme e as que mal têm tamanho pra isso; mas juntas elas não apenas convivem bem, se complementam!

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Por fim, há as que, mesmo se sentindo “diferente”, se enchem de coragem e ocupam seu lugar ao sol no meio das outras; e as que sentem vergonha de si mesmas e se fecham no seu “mundo de estranhos”, privando o mundo da sua beleza.

Sim, essa última foto da esquerda mostra o “inconveniente” cacto de que falei no começo do texto. E acho que, depois dessas exemplificações todas, você já entendeu onde quero chegar e eu nem precisaria escrever mais nada. Mas preciso, porque quero deixar bem clara a reflexão:

se conseguimos achar tão linda, harmoniosa e até necessária essa diversidade
toda de características, estilos, formatos, frutos, cores e funções que vemos
nas plantas e na natureza como um todo, por que, POR QUE não conseguimos
achar o mesmo do ser humano, a maior, mais linda e complexa criação de Deus? 

Vivemos tempos sombrios na política brasileira. Um período de pessoas se atacando, por enquanto nas opiniões e palavras, mas num futuro próximo talvez fisicamente. Apenas por serem pessoas diferentes, gostarem de coisas diferentes, terem religiões diferentes, amarem pessoas diferentes!! E eu simplesmente NÃO CONSIGO ENTENDER qual o problema de convivermos assim como as plantas: apesar das diferenças, estando lado a lado em harmonia, uns complementando os outros, quem tem de sobra dividindo com quem tem de menos, todos compartilhando suas experiências das mais diversas, alimentando o mundo com nossos frutos e dons variados, sem ligar para os – híper-relativos!! – conceitos de bonito ou feio, certo ou errado, comum ou extravagante, normal ou diferente. Somos TODOS diferentes! Deus criou um mundo plural tanto na natureza quando na raça humana. E se nosso olhar é capaz de não apenas ver beleza, mas exaltar essa diversidade nas plantas, eu não tenho dúvida de que somos capazes de fazer o mesmo com as pessoas com quem vivemos e convivemos. É SÓ QUERER!!!

Ah, e mais uma coisa importantíssima: se você se sente como aquele cacto “deslocado” em meio às demais plantas, saiba que I SEE YOU, eu te entendo! Já passei por isso e sei exatamente como é duro viver com essa sensação constante de não-pertencimento. Mas eu tenho um conselho, uma sugestão pra você: OCUPE SEU LUGAR AO SOL! Não se esconda nem se feche com outros “estranhos” como os cactos que estão lá na redoma trancados para serem olhados à distância, como se fossem bichos perigosos contidos em uma jaula. O mundo precisa da sua diferença, do que você tem que é único, da sua AUTENTICIDADE. Só você pode ser você! E, não, não vai ser fácil, não vai ser sempre gostosinho se impor, você provavelmente vai se machucar; mas eu PROMETO QUE VALERÁ A PENA! Então me dá a mão e vem comigo… porque eu saí dessa “jaula”, e, apesar de ainda enfrentar muitos conflitos, julgamentos, reprovações e olhares, nada me faz mais feliz hoje do que poder gritar por aí:

Eu sou a JULIE! Eu sou EU, e Deus me criou EXATAMENTE ASSIM, por isso eu
não posso e NÃO VOU SER MAIS NINGUÉM a não ser… EU! Mesmo quando estiver assim, sem maquiagem, com olheiras de sono, descabelada, suada, mas plena e feliz por ser “quemS” sou – e, sim, com legenda bem colorida, porque… né?? 😉

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