A enorme lição que aprendi com Jesus

Já há um bom tempo, desde que saí da igreja onde passei a maior parte da minha vida, a minha relação com Deus mudou completamente. Estar com ele deixou de ser um compromisso do domingo, uma “obrigação”, para se tornar uma escolha, uma opção que eu queria unicamente por me fazer bem, e que não tinha horário, nem dia, nem local para acontecer. Sair daquela “caixa”, me abrir para onde e como Deus se manifestava fora dela, me fez enxergar um mundo de possibilidades. Isso não significa que eu acredite que “todos os caminhos levam a Deus”. Mas hoje sei que Deus está em muitos caminhos. Não são apenas os pastores, ou os cristãos confessos ou os católicos praticantes que são usados por Deus para nos ensinar e nos aproximar dEle. Toda e qualquer pessoa que deseje ser instrumento se torna um ao se dispor a isso. Dê uma lida neste texto:

“A Vida é Deus em Movimento. Mas Deus não tem pés, nem mãos, nem boca, nem olhos. Na verdade nós somos Deus em movimento aqui. Deus só tem como ser amor aqui se a gente praticar atos de amor. Deus só tem como praticar generosidade aqui na terra se alguém resolver hoje praticar um ato de generosidade. Ou de amizade, ou de suporte, ou de gentileza, ou de bondade. Apenas se a gente se colocar a serviço, emprestar nossos braços, pernas, boca, olhos, corpo, talentos, nossa luz, Deus vai poder fazer isso tudo aqui na Terra.”

Agora me diga: você concorda? Se você é cristão, e sempre seguiu a palavra de Deus, diria que isso corresponde ao que está escrito nela? Assumiria que a pessoa que escreveu isso leu muito a Bíblia “se converteu” e compreendeu o evangelho? Tenho certeza de que quanto “mais crente” você for, mais “SIMs” respondeu. E por isso não faz sentido nenhum você mudar de opinião se eu te contar que a pessoa que não só disse essas palavras, como as pratica e tem atitudes que certamente deixam Jesus orgulhoso, não é “crente de carteirinha”, não frequenta uma igreja, não se diz presbiteriana, ou batista, ou avivada, nem católica, nem espírita, nem budista, nem se dá nenhuma outra nomenclatura religiosa. É apenas uma pessoa que, sim, estudou a Bíblia, com o intuito de conhecer mais a Deus, mas da mesma forma estudou outras religiões, outros ensinamentos, e de tudo o que ouviu e leu e viu retirou aquilo que havia em comum em todas elas: amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo. Esse foi apontado por Jesus como o maior mandamento de todos, e certamente é o que deve nortear todas, sim, TODAS as nossas atitudes (o que significa que se você vai à igreja todos os domingos, mas é mau humorado com o porteiro do seu prédio ou não cuida da natureza já saiu do script…). E internalizar profundamente isso mudou a minha vida, me libertou para uma vida com Deus que não depende da igreja ou de determinadas pessoas, mas exclusivamente de mim. E daí é que veio “a enorme lição que aprendi com Jesus” e quero contar aqui.

É sobre autenticidade. “Autenticidade consiste na certeza absoluta da veracidade ou originalidade de algo, sendo esta obtida através de análises feitas no objeto em questão. Quando algo tem autenticidade significa que é autêntico, ou seja, não passou por processos de mutações ou reproduções indevidas. A autenticidade é a natureza daquilo que é real e genuíno.” Essa definição está em um dos dicionários da língua portuguesa, mas muito antes disso foi ensinada na prática por Jesus. A história conta que, quando ele foi preso, não encontraram nenhuma prova de crime que tivesse cometido para que pudessem de fato incriminá-lo. Então apoiaram-se no fato de Jesus “blasfemar” dizendo ser filho de Deus:

“Outra vez o sumo sacerdote lhe perguntou: ‘Você é o Cristo, o Filho do Deus Bendito?’. ‘Sou’, disse Jesus. ‘E vereis o Filho do homem assentado à direita do Poderoso vindo com as nuvens do céu’. O sumo sacerdote, rasgando as próprias vestes, perguntou: ‘Por que precisamos de mais testemunhas? Vocês ouviram a blasfêmia. Que acham?’. E todos o julgaram digno de morte.” (Marcos 14:61-64)

Em outras palavras, Jesus foi condenado à morte por dizer ser exatamente quem ele é. Outro trecho da Bíblia conta que alguns ainda tentaram “ajudá-lo”, aconselhando que Jesus falasse ser filho de José, o carpinteiro, para que fosse solto. E ele nem estaria mentindo se dissesse isso, concorda? Porque afinal foi de Maria e de José que Jesus nasceu, como filho deles é que foi registrado. Mas filho de José e Maria era apenas uma “aparência” de Jesus, uma situação temporária (de seu tempo na Terra). Não era a sua essência. Na sua essência, na sua natureza, na sua originalidade, na sua AUTENTICIDADE, Jesus era filho de Deus. E mesmo sabendo que seria morto por afirmar e confirmar isso, não fez diferente. Jesus não deixou de ser quem é nem quando podia ter sido livrado da morte. Agora me diga, ou melhor, diga pra você mesm@: quantas vezes você ESCONDEU ser quem você verdadeiramente é para evitar alguma dor ou se encaixar a algum padrão? Ou pior, quantas vezes você FINGIU ser alguém que você não é para agradar alguém ou não ser julgad@ por um grupo? Ou ainda, quantas vezes você aumentou uma história sobre si mesm@ ou omitiu detalhes para ser mais admirad@ ou não passar vergonha?

Eu, Julie, sou cristã, sou mãe do João, sou lésbica, sou apaixonada por pessoas e sonho em viajar o mundo e viver as infinitas possibilidades de vida que ele oferece. Essas são características da minha essência, que determinam quem eu sou e que comprovam que eu sou eu. Mas aí entra um porém: na opinião de muitas pessoas, algumas dessas coisas não deveriam andar juntas. Ser cristã e lésbica? (Tem mais sobre essa questão no post “Sim, Deus me ama!“.) Ser mãe e lésbica? Ser mãe e querer viajar o mundo todo? Como isso é possível? A essas pessoas e perguntas, a minha resposta mais sincera: só é possível sendo eu! Rs. Só existe uma Julie Anne Caldas no mundo. Deus criou apenas uma pessoa com as minhas características, internas e externas, com os meus talentos, com o meu coração, com o meu propósito. E a minha autenticidade está no conjunto dessas coisas. Por isso negá-lo, ou negar qualquer parte dele, ainda que os detalhes pequenos, seria negar a minha natureza e, portanto, negar a criação de Deus.

Não é fácil sermos quem somos. E isso não vale só para mim, mas para todos. Sabe por quê? Porque a verdade é que o ser humano tem dificuldade com diferenças… Temos dificuldade em aceitar o diferente, em achar “normal” o que para nós é incomum. Só que algo que é incomum para nós, brasileiros, como comer arroz e peixe no café da manhã, pode ser absolutamente normal para os japoneses, por exemplo. Então, por que não focamos em ver as diferenças como algo incrível, interessante, instigante? Seria mais fácil cada pessoa ser quem é se todas as pessoas achassem normal cada pessoa ser quem é. Deu pra entender, rs? Encarar a diferença, qualquer que seja, como “certo” ou “errado” não só nos afasta dos outros, mas também de nós mesmos, de quem verdadeiramente somos, porque nos faz querer se adequar ao tal “certo” – que só é certo a partir de determinados pontos de vista. E ao fazermos isso, quase que inevitavelmente, deixamos de lado a nossa natureza, perdemos a nossa autenticidade, aquilo que faz cada um de nós ser exatamente quem cada um de nós é.

Eu fiz 37 anos quase 20 dias atrás, e no dia do meu aniversário renovei um compromisso comigo mesma: SER EXATAMENTE QUEM EU SOU E AMAR CADA UMA DAS PESSOAS COM AS QUAIS CONVIVO EXATAMENTE COMO ELAS SÃO. Não é um compromisso fácil, porque ele envolve não apenas expor a minha essência, e muitas vezes ser julgada por ela, como também amar até mesmo as pessoas com as diferenças mais diferentes, rs. A partir disso surgiu a ideia de, durante esse meu próximo ano de vida, reencontrar pessoas das quais me desencontrei ao longo da vida por causa dos caminhos diferentes que tomamos. E resolvi fazer isso em nome da autenticidade, afinal a Julie ama pessoas, e não gosta de ter deixado de amar ou de ser amada por pessoas por causa de atitudes ou caminhos diferentes, muito menos por termos “identidades” diferentes. Porque isso é lindo, isso só comprova o quão únic@ você e eu somos! Só prova o quão incrível Deus foi ao criar bilhões de pessoas únicas! E prova que se foi assim que ele escolheu é isso que devemos honrar. Sermos quem realmente somos! Sem contar que, lembrando a citação do começo, “Deus só tem como ser amor aqui se a gente praticar atos de amor”.

Por isso, termino este texto tão pessoal com um apelo: se você fez parte da minha vida em algum momento e acabou se afastando por alguma diferença qualquer, de pensamento, de atitude, de caminho, de localidade, de tempo etc., me escreve? Vamos nos encontrar? E se você não me conhece, mas de alguma forma esse texto fez sentido pra você, me escreve também? Me conta em que as suas diferenças incomodam os outros, o que te impede de ser autêntic@ e viver a SUA verdade? Vamos juntos falar sobre essas diferenças, honrá-las e agradecer a Deus por elas, que nos fazem unicamente lindos na nossa individualidade! Vamos provar pra nós mesmos que a lição que Jesus ensinou pouco antes de morrer não foi em vão. Eu já estou fazendo a minha listinha de pessoas com as quais quero ter esse reencontro, e vou ficar MUITO feliz se você quiser fazer parte dela!

Bora, sermos autênticos e crescermos juntos nas nossas diferenças? ❤

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Feliz da vida e sendo absolutamente EU no meu aniversário, que teve tema de arco-íris, amigos gays, héteros, casados, solteiros, cristãos e agnósticos, cantando louvores, tocando MPB e dançando Pablo no final. Todo mundo diferente sendo feliz junto, cada um na sua autenticidade!

 

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