A história de nós duas

É Dia d@s Namorad@s! ❤ E, sem nem entrar no mérito de essa data ser válida ou apenas uma jogada comercial (aqui em casa, abolimos comprar presente fora já faz um tempo), achei que valia a pena usá-la pra contar um pouco de como foi o meu namoro com a Mari. Até porque se tem uma coisa que eu gosto das datas comemorativas – qualquer que seja ela – é a possibilidade de olharmos para o passado, nos lembrarmos dos anos anteriores, fazer um “Neste Dia” do Facebook em versão pensamento e pararmos pra pensar o que foi bom, o que mudou, o que passou, o que piorou, o que melhorou. E, ao olhar para “a história de nós duas”, a palavra que mais me vem à mente é CRESCIMENTO! Como crescemos nestes seis anos de relacionamento! Crescemos como pessoas, como mulheres, como profissionais. E como consequência a nossa relação cresceu também, o nosso amor se reinventou, se multiplicou, se fortaleceu. E muito disso se deve a três coisas principais: as dificuldades que enfrentamos – e vencemos! –, a nossa fé em Deus e a nossa vontade de não desistir nunca! Fácil não foi, mas acho que é por isso que tem dado tão certo!

O começo de tudo, por exemplo, não poderia ter sido mais… inesperado e conturbado. Se você já leu o post “Dois casamentos e uma felicidade”, sabe que eu fui casada durante quase nove anos com um homem, que é pai do meu filhote João e um ser humano admirável! E aí que, quando me apaixonei por ela, a minha separação era muito recente, meu filho estava com três anos, nem eu nem ela nunca tínhamos nos relacionado com mulheres e, pra completar, éramos amigas da igreja. Da mesma igreja. Aliás, sempre que vem a pergunta “onde vocês se conheceram” nos preparamos para as caras de espanto depois da resposta, rs. Mas o fato é que graças a Deus – literalmente – foi assim. Porque se fosse uma pessoa de fora da minha realidade, que não entendesse o meu momento, os meus medos, as minhas angústias, as minhas culpas e o meu relacionamento com Deus, jamais teria dado certo. Ela tinha tudo isso, entendia tudo isso. E, ainda assim, não foi um começo fácil! Primeiro porque fomos ensinadas na igreja que aquele relacionamento era pecado e, apesar de ambas já não termos essa opinião com relação a outros casais gays, acontecendo com a gente era diferente… E as famílias, o que pensariam? E Deus, estava de boa mesmo? No post “Sim, Deus me ama!” eu contei um pouco melhor das dúvidas que vivemos naqueles primeiros meses, e também como saímos delas. Mas o fato é que, pela situação delicada que envolvia tudo, vivemos os primeiros seis meses do nosso namoro no mais absoluto silêncio, sem contar para ninguém – a não ser a minha terapeuta e minha melhor amiga, que nem mora no Brasil.

Era estranho. A gente tinha momentos muito gostosos juntas, jantares, almoços, cafés da manhã, pequenas viagens, conversas e mais conversas, daquelas de contar a vida, os detalhes do passado de cada uma – já que antes éramos amigas, mas não tão próximas – de colocar tudo às claras, porque sinceridade foi a nossa marca desde o primeiríssimo encontro. Mas tudo dentro de casa, ou em outras cidades. Quando saíamos em SP, nos comportávamos como amigas mesmo, porque ainda não tínhamos certeza do que estava acontecendo, de como seria o futuro daquilo e, portanto, não queríamos expor naquele momento. Mas, apesar de estranho muitas vezes, com o tempo soubemos que aqueles seis meses de “isolamento” foram muito importantes para aprofundar nossa relação. Foi como se tivéssemos vivido um ano, talvez um ano e meio de namoro em seis meses, tipo um intensivão, rs. E quando esse período acabou, quando soubemos que a coisa era pra valer e começamos a contar para os primeiros amigos, nem a gente acreditava o quanto já se conhecia, o quão fortalecida estávamos. Ainda bem, porque foi preciso…

Pra começar, porque as perdas foram muitas. Perdemos amigos, vários, quase todos os da igreja que frequentávamos. Eu sei, eu sei, “se foram embora é porque não eram amigos”, já há bastante tempo fizemos essa constatação. Mas, ainda que seja perder a certeza de que tínhamos amigos que na verdade não tínhamos, foi difícil. Nos poucos que sobraram e foram “de boa” desde o começo, nos apoiamos, agradecemos muito e passamos a uma nova fase: a de nos conhecermos socialmente como namoradas. Foi nessa época também que vieram as primeiras brigas. Eu falava alguma coisa dela em público que ela não gostava, ela fazia alguma brincadeira que me magoava e a gente foi tendo que aprender a conviver como casal em meio a outros casais. Sem contar que, como falei, eu tinha sido casada durante nove anos (e no total fiquei 14 anos com ele), mas ela nunca tinha namorado sério. Então, coisas que pra mim eram discussõezinhas bobas, normais, totalmente “resolvíveis”, pra Mari eram enormes problemas, e tínhamos que equalizar os pensamentos pra nos acertarmos. E foi numa dessas brigas que lembro de ter mandado pra ela a música do Jason Mraz “I won’t give up”.

“When I look into your eyes
It’s like watching the night sky
Or a beautiful sunrise
Well, there’s so much they hold
And just like them old stars
I see that you’ve come so far
To be right where you are
How old is your soul?

Well, I won’t give up on us
Even if the skies get rough
I’m giving you all my love
I’m still looking up

And when you’re needing your space
To do some navigating
I’ll be here patiently waiting
To see what you find

‘Cause even the stars they burn
Some even fall to the earth
We’ve got a lot to learn
God knows we’re worth it
No, I won’t give up…”

A música continua, mas a minha mensagem tinha sido passada. Tomar a decisão de assumir o nosso relacionamento não tinha sido fácil, e eu não ia desistir por qualquer coisinha boba. Leonina que sou, explodo fácil (hoje menos, naquela época mais), mas um simples “desculpa” cura tudo. E ela foi percebendo isso, e descobrindo que algumas discussões só traziam crescimento, que muitas vezes ficávamos mais unidas quando um problema era resolvido, e que com erros e acertos íamos construindo uma relação sólida.

Quando fomos morar juntas, mais de um ano de namoro depois e logo quando nossas famílias souberam (outra parte que foi punk, mas não vou detalhar aqui), também houve um difícil período de adaptação. Costumes diferentes, criações diferentes, manias diferentes, gostos diferentes… se você já se casou ou morou junto, sabe como é; esse começo pode ser assustador, rs. Mas, mais uma vez, juntas, vencemos a barreira. E aí, quando acreditamos que estávamos prontas para o SIM definitivo, nos casamos! Sem festa nenhuma, sem alarde nenhum, só no cartório, com os amigos mais amigos como padrinhos e a – imprescindível – bênção de um pastor queridíssimo nosso. E o casamento nos fortaleceu ainda mais, nos deu novos objetivos em comum, nos deu uma casa a ser entregue pra sonharmos (e pagarmos, rs), nos deu mais amigos (os de uma viraram das duas), nos deu uma aliança – que tem três ouros, representando nós duas e Deus – nos deu um papel que certificava perante a sociedade nossa união e nos deu a chance de anunciar pros amigos, família, pra todo mundo que queríamos fazer aquilo durar pra sempre! Mas, ainda assim, não foi fácil.

No primeiro ano penamos bastante pra nos adaptarmos ao novo formato. A Mari teve dificuldade para se adaptar com o fato de ter uma criança em casa quase em full time e ser, ainda que não mãe, um adulto que servia de exemplo pra ele. Eu tive dificuldade em lidar com o ciúme, porque nunca o tinha sentido com ninguém daquela forma, e pra completar tinha um histórico de não confiar nem nas pessoas nem em mim mesma. Prestes a completarmos um ano de casadas, tivemos uma conversa séria que incluía tomarmos a decisão de fazermos aquele relacionamento dar certo no matter what ou então chegarmos à conclusão de que tinha sido bom até ali, mas que não ia continuar sendo mais. Mas, como foi em outras vezes, o amor falou mais alto, o sentimento que tínhamos era mais forte que tudo, sempre foi. Mais forte que padrões, que o apoio dos outros, que as probabilidades de dar certo, que as nossas diferenças. E como agradeço a Deus, a ela e a mim mesma por termos tomado mais uma vez a decisão do SIM. Porque aqui estamos hoje, realizando pouco a pouco cada um dos nossos sonhos, colecionando amigos que de verdade o são, servindo de suporte uma para a outra nos momentos de dificuldade, apoiando e comemorando as conquistas profissionais de ambas, ensinando e aprendendo como nunca, construindo o nosso futuro e continuando a dizer, sempre que alguma dificuldade surge, “I won’t give up on us”.

Namoro não é só feito de flores, casamento não é só feito de flores, e um casamento entre duas mulheres tem tantos espinhos quanto qualquer outro (e mais duas TPMs pra conta, rs). Mas amor que é amor “tudo pode, tudo crê, tudo espera e tudo suporta”. E é com esse amor como referência, o de Deus, que temos construído o nosso. A você, Mari, só posso agradecer, por também não ter desistido, por se dar tanto por nós, pelos nossos sonhos, e por ser a minha companheira de vida, de jornada, de crescimento! “O seu olhar melhora o meu”, como sempre dizemos, “lucky I’m in love with my best friend” e eu TE AMO MUITO, “just the way you are!” Feliz Dia d@s Namora@as! ❤

Fotos da nossa primeira viagem, em junho de 2012, quando eu a pedi em
namoro e, contra todas as probabilidades, ELA DISSE SIM! 😍

 

 

5 comentários em “A história de nós duas

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  1. Ownn… que lindo texto!! Além de emocionante, retratou muito bem nossa jornada que tem sido, realmente, uma aventura – o que é ótimo, pois a vida deve ser como uma montanha russa e cheia de emoções! Obrigada pelo seu amor e por não desistir também. Juntas somos mais fortes! 😉 Beijãooooo

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