O meu (e o seu!!) papel como jornalista deste Brasil, sil, sil

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“Jura dizer a verdade, somente a verdade, nada além da verdade, em nome de Deus?” O juramento feito por testemunhas com as mãos sobre uma Bíblia na maioria dos filmes de tribunal americanos não é aplicado aqui no Brasil. Mas devia, se não nos tribunais, nas formaturas de jornalistas. Preferencialmente deixando de fora a parte “em nome de Deus”, considerando que somos (pelo menos em teoria, quiçá um dia na prática) um Estado laico. Mas jornalistas deveriam, aliás, não apenas na formatura, mas constantemente, ser lembrados de nosso compromisso com a verdade. Digo isso como alguém que tem se repensado como jornalista e comunicadora brasileira. Apesar de há um bom tempo não trabalhar como jornalista fixa de um veículo, sou comunicadora na alma, em cada texto que faço, em cada notícia que compartilho. E, aliás, você deveria se sentir também!

Sim, VOCÊ! Não importa sua profissão, seu diploma, seu trabalho. Você tem Facebook? Twitter? Instagram? WhatsApp? Então você é um comunicador deste Brasil, sil, sil! Fiz essa reflexão e decidi escrever esse texto a partir de uma entrevista que vi do diretor de cinema e também jornalista Wagner Assis (diretor do filme “A menina Índigo”, do qual falarei em outro post). Ele, que no filme retrata o dilema de um jornalista entre publicar uma história real de corrupção ou proteger seu pai de um escândalo, disse a um repórter, à época do lançamento: “Temos que estar sempre com o jornalismo sendo questionado, em pauta, porque é uma ferramenta democrática, e uma ferramenta fundamental pro Estado democrático de direito. Então, nada melhor do que pensar e repensar o papel da imprensa o tempo todo”. E não parou aí, foi mais fundo, trazendo à tona uma questão que muitas vezes ignoramos: “Questionar o papel da mídia é bacana o tempo todo, assim como deveríamos questionar as pessoas sobre o poder da comunicação que elas passaram a ter com os seus blogs, páginas do Facebook, Instagram. Hoje as pessoas acabam detendo um poder de informação para o qual elas nem estão eventualmente preparadas”. E é exatamente isso.

Em junho de 2009, nove anos atrás, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiam, por oito votos a um, que o diploma de jornalismo não era mais obrigatório para exercer a profissão. Lembro-me da revolta que senti, do quanto esbravejei, inconformada. Tinha pouco mais de sete anos de formada, e senti que estavam jogando no lixo meu esforço de quatro anos naquela faculdade. E demorou, demorou muuuuito para esse sentimento ir embora. Na verdade, nem me lembro de quando é que se foi. O que sei é que fiquei com uma consequência dele: o preconceito com todos os que escrevem “sem ser jornalistas”. Preconceito que, confesso, ainda está em processo de ser 100% extinto. Até para começar este blog tive dificuldade, porque me rotular como blogueira era sinônimo de me colocar contra os jornalistas (falei mais sobre isso no post “Libertando minha alma de escritora”), de escolher um “lado” contra o qual sempre lutei. Mas ouvir essa entrevista, umas semanas atrás, quando pesquisava mais sobre o filme, e ver a naturalidade com que esse colega jornalista falou de todos terem o poder da comunicação, me fez “jogar a toalha” de vez. Porque ele tem razão. Hoje em dia, #somostodosjornalistas, no sentido “comunicador” da palavra. E como comunicadores nossa preocupação deve ser não com um diploma, mas com o conteúdo que comunicamos.

Claro que minha opinião não mudou – e nem quero que mude – quanto a uma pessoa que quer escrever “profissionalmente” preparar-se para tal, fazer ao menos um curso de escrita que seja, relembrar regras gramaticais, preocupar-se em pedir uma revisão (TopTexto está aí à disposição, pessoal! Rsrs), não apertar a tecla f%^$& para o como se escreve, dando importância APENAS para o quê se diz. E creio nisso porque, para mim, chama-se excelência, algo que deve ser parte de qualquer coisa que decidamos fazer. Mas pensando num sentido mais, digamos, prático, quantas das últimas notícias eu soube pelo Facebook de amigos? Quantas opiniões políticas (independentemente do “lado”) pude ouvir e analisar porque minha timeline estava cheia de “colunistas amadores”? Quanta informação nova descobri porque alguém ficou sabendo e resolveu compartilhar? Quanto aprendizado tive com vídeos de pessoas nem tão boas com a câmera, mas excelentes no conteúdo? E o que há de ruim nisso? Nada – a não ser por um importantíssimo detalhe: as pessoas não se sentem de fato comunicadoras e, por isso, não se preocupam com a verdade.

Apuração de dados, para quem já trabalhou com o “jornalismo tradicional”, é uma parte extremamente importante durante uma reportagem. E significa nada menos que pesquisar a fundo, gastando tempo nisso mesmo, até descobrir se uma notícia que chegou é realmente verdadeira ou apenas um boato. Mas quem por aí está a fim dessa parte que dá trabalho, né? São poucos… Prova disso foi o que vimos nesses recentes dias de greve dos caminhoneiros, em que até informação falsa sobre quais postos havia chegado combustível foi divulgada em redes sociais, grupos de WhatsApp e por aí vai. Por isso é que, como disse o Wagner Assis, precisamos, sim, voltar a questionar isso. Questionar o papel e o formato como têm agido as mídias TODAS, incluindo os comunicadores-não-menos-jornalistas-por-não-terem-um-diploma. Realmente nossa sociedade não foi preparada para ter nas mãos esse poder de se comunicar com o mundo, de influenciar pessoas, de opinar publicamente sobre qualquer assunto. E, embora eu consiga ter chegado ao ponto de admitir que essa liberdade de comunicação que independe de diploma é boa, não consigo ser condizente com o descuido como isso tem sido feito. E, se resolvi usar as minhas habilidades de escritora e jornalista para me comunicar por meio deste blog, não poderia deixar de, logo nesse começo, divulgar essa mensagem e fazer a você, leitor, receptor das informações que eu decidi comunicar, este juramento:

Eu, Julie, juro dizer a verdade, somente a verdade, nada além da verdade neste blog e em todas as redes sociais e formas de comunicação que descenderem dele.

E faço mais: convoco você, como inevitavelmente-jornalista-comunicador-dos-novos-tempos, a comprometer-se com o mesmo a cada post, compartilhamento e opinião que decidir expressar publicamente em suas redes sociais. Antes de clicar em “enviar”, gaste invista um tempo para “apurar suas fontes”, pesquisar se uma notícia é fato ou boato, e então entenda se o que você está prestes a publicar vai realmente ajudar alguém ou apenas disseminar mentiras, se passará uma informação valiosa ou vai só espalhar “bullshit”. E se for a segunda opção, repense e desista. Não há mal nenhum em desistir de uma coisa que não ia te dar orgulho fazer, mas desistir depois de ter feito, nesse caso, não adianta muito, porque uma vez comunicada, a informação não mais pertence só a nós… Então comprometa-se, você também, com a verdade! A verdade liberta! E deixa o jornalismo, qualquer que seja ele, muito mais bonito, útil e feliz! 😀

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