Ela só quer dançar, dançar, dançar!

Tenho pelo menos uns 150 amigos no Facebook que se tornaram adeptos das corridas de rua. E sempre que eu vejo acho legal pra caramba, a empolgação deles a cada corrida, os lugares bonitos onde elas acontecem, aquele monte de medalhas colecionadas, as turmas que se formam por esse esporte. Mas realmente não é a minha praia. Eu caminho todas as manhãs (durante a semana) numa estradinha de terra que tem perto de casa, e adoro esse contato com a natureza logo cedo, sentir meu corpo acordando, e muitas vezes até dou uma corridinha pra acelerar a frequência cardíaca e ter um dia melhor. Mas não está em mim o prazer pelo ato de correr, como muitos têm. O meu negócio é DANÇAR!!! Desde pequenininha adorava sair dançando com qualquer música que tocasse, e como sempre tinha música na minha vida (ao ler os textos da Vida de Cantora você vai ver…), estava sempre balançando! Até na igreja, onde comecei no louvor cantando (leia este post aqui pra entender melhor), depois de um tempo acabei montando um grupo de dança.

Mas essa delícia que é dançar começou a se tornar mais séria antes disso, por volta dos 20 anos, quando comecei as aulas de jazz numa escola do bairro. Mentira, ainda mais cedo, adolescente mesmo, eu era a doida do axé, kkkk. Eu e uma das minhas amigas de infância, a Rô, éramos loucas pelo É o Tchan, Asa de Águia, Araketu, Terra Samba e todos os outros grupos que estouraram nos anos 1990. A gente aprendia todas as coreografias indo nas aulas de axé da academia e vendo vídeos (na TV, porque não tinha youtube) aí comprava as FITAS CASSETES :O e treinava os passos em frente à porta de espelho do salão de festas do nosso prédio, hahahaha. Que tempo bom!! Até fomos “dançarinas oficiais” de um grupo de axé montado por uns amigos nossos da rua, e inclusive dançamos um dia no palco do KVA, uma “discoteca” badalada na época (desculpa, mãe, mas é verdade 😛 ). Foram uns 3 ou 4 anos de axé na veia, que me renderam um repertório de coreografias suficiente pra arrasar em qualquer final de festa de formatura ou casamento até hoje, hehehe. Masss, voltando ao jazz… ele foi que me mostrou que dança dava pra ser coisa séria e deliciosa ao mesmo tempo!

Estou falando coisa séria porque descobri que dava pra ser profissional disso, que vários dançarinos de jazz faziam sucesso como professores, bailarinos mesmo ou até em musicais. E isso foi importante pra mim que NUNCA gostei de balé clássico e fugi dele mesmo bem criancinha. Me arrependo, claro. Sei que teria tido uma base de dança muito legal se tivesse feito balé na infância, como 80% das meninas da minha época fizeram. Mas eu era agitada demais pra isso e acabei pedindo para a minha mãe me colocar nas aulas de ginástica olímpica (hoje ginástica artística), que achava muito mais empolgantes e interessantes. E a ginástica foi boa, desenvolveu meu corpo, deu flexibilidade e postura, que usei bastante mais tarde, quando passei as aulas de jazz. Voltando a ele de novo, depois de uns dois anos as aulas na escola pequena do bairro ficaram meio “chochas”, iguais, repetitivas, fáceis demais. E foi aí que comecei a procurar por escolas maiores em São Paulo, até chegar em um lugar que mudou a minha vida: a Casa da Dança. Pra começar, no primeiro dia que fui lá quem me atendeu foi a dona, que também era professora de jazz e uma simpatia só. Lembro de achar estranho ela ter sido tão simpática e pensar “será que está faltando aluno?”, hahahah. Mal sabia eu que estava apenas conhecendo uma das pessoas mais lindas do mundo. A Tati Sanchis não é só dona da CDD, professora de jazz, contemporâneo, wacking, house e bailarina das mais f*%#$ que conheci até hoje, mas é uma mulher de coração enorme, um sorriso que NUNCA sai do rosto e um poder de agregar pessoas sem igual. Entre antes e depois de ter o João, dancei jazz por uns quatro anos na Casa da Dança e foi, sem dúvida, o tempo em que mais me senti realizada como dançarina – e consequentemente como pessoa, porque a dança me move!

A Tati como professora era incrível, as aulas eram incríveis, a turma era incrível. Fiz amig@s ali que carrego até hoje, e não acho que exista no Brasil – quiçá no mundo! – uma escola de dança como essa. Justamente porque é muito mais CASA do que escola. Os professores são todos TOP, mais que bons no que fazem, e ensinam e incentivam ao máximo os alunos a aprenderem os passos e coreografias. Mas isso JAMAIS se torna mais importante do que todo mundo estar se divertindo! Ou seja, durante as aulas, rola chamada de atenção, bronca, incentivo pra esticar mais a perna, girar mais voltas, saltar mais alto, mas nunca de forma que possa fazer os alunos se sentirem mal com isso. Lembro-me do primeiro espetáculo de fim de ano em que dancei, de ver aquelas centenas de pessoas felizes pela dança, ainda que tivessem cometido um erro ou outro, de sentir aquela energia de final de espetáculo que só quem já fez parte desse momento sabe, e de pensar “não quero largar isso aqui nunca mais!”. Infelizmente não deu pra cumprir, rs, eu fiquei parada um tempo quando engravidei, depois voltei com o João pequeno (e o levei tanto pra aulas quanto pro palco comigo, vivendo cenas inesquecíveis!), e depois saí de novo quando me separei e mudei pra longe, e depois veio a mudança pro interior, mais difícil ainda. Nesse meio tempo até tentei fazer aula em outras escolas, mas, nossa, não dá nem pra comentar sobre as experiências tão tristes, de me sentir um robô tendo que obedecer regras da professora exigente ao som de gritos… Comparar com a CDD, então?? Seria ridículo, por isso fiquei apenas voltando pras aulas lá de vez em quando, nos eventos especiais que a escola faz. Sem contar que, como sempre digo pra Tati, que até hoje é minha amiga e queridíssima, “eu posso ter saído da Casa da Dança, mas ela jamais vai sair de mim”.

dança

Nova fase, nova dança

Quando nos mudamos pro interior, fiquei quase dois anos completamente parada em termos de dança, porque estávamos curtas de grana e as escolas aqui ou são muito caras ou são naquele estilo militar (e quase sempre são as duas coisas). Até que no ano passado uma amiga me arrastou, quase que literalmente, para uma aula de ritmos, dessas tipo zumba. Fui com preconceito no começo, confesso, porque quem já dançou jazz, balé e contemporâneo sabe que técnica é o que falta na zumba. Mas, quer saber? Eu precisava dançar, meu corpo precisavaaaa voltar a se mexer, nem minha mulher aguentava mais eu reclamando de não dançar, rsrs. Então enfrentei o preconceito e fui – e como não me arrependo! Lá a gente literalmente dança de tudo, e, apesar de não ter mesmo técnica quase nenhuma, é divertidíssimo, relaxante, gostoso de mexer. E ainda voltei a me encontrar com uns axés que tocam de vez em quando, pra matar a saudade, rsrs.

Se esse é o tipo de aula que quero fazer pra sempre? Não. Mas também não sei como vou fazer pra arrastar a Casa da Dança comigo pra todas as cidades e países em que ainda vou morar (contarei muito mais sobre isso na Vida de Viajante, você vai ver!), e confesso que tenho medo de me decepcionar novamente com outras escolas. Mas uma coisa é certa: a dança eu não largo! Sei que sempre vou encontrar alguma forma, alguma aula, algum@ amig@ dançarin@ no meu caminho pra me reconectar com esse que é o meu mais amado esporte, “a minha corrida de rua”, o exercício que meu corpo e minha alma mais amam fazer! Costumo dizer que o corpo foi feito pra dançar, não acredito diferente, e acho mesmo que qualquer ser humano que quisesse, por mais descoordenado que se ache, conseguiria aprender a dançar se quisesse. Então, fica meu conselho: QUEIRA, tente, coloque pelo menos um pouquinho de dança na sua vida, nem que seja na frente do espelho, no banho ou na sala com a sua família (a gente adora essa lá em casa!). Dançar melhora o funcionamento cerebral, as articulações, a respiração, o humor, a autoconfiança… DANÇAR MELHORA A VIDA! ❤

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