Várias jornalistas em uma só

Não me lembro quando foi que decidi que queria ser jornalista. Lembro-me que adorava escrever redações, e que no sexto ou sétimo ano fiz um poema que foi parar no livro de textos anual da escola (Mackenzie). Lembro-me também que foi por sugestão da minha mãe que fui fazer Magistério no colegial (novinh@s não entenderam duas das últimas 3 palavras 😛 ), mas gostei da ideia porque descobri que tinha menos matemática e física, e os números nunca me atraíram. Mas nem terminei o curso porque – onde estava com a cabeça? – detestava dar aulas pra crianças… Mas a minha primeira lembrança definitiva do futuro como jornalista foi no dia em que fizemos o teste vocacional, lá pelo primeiro semestre do 3º ano. O que me lembro é que já sabia o que queria, e “conduzi” o teste todo, desenhando, no final, eu com um microfone na mão, perto da Estátua da Liberdade. Sim, eu quis o jornalismo sempre com a intenção de fazer televisão. Quando criança, quis ser atriz e ouvi aquela risada irônica dos meus pais, então acho que estava dando um jeitinho de ir pelas bordas… Sem contar que o jornalismo é uma das profissões mais variadas, em que dá pra ter funções muito diferentes umas das outras com um único diploma, e isso, nem preciso falar, atraía a índigo aqui! Resultado, passei no vestibular pra JO sem muita dificuldade, ainda em setembro, antes de terminar o Ensino Médio.

No primeiro ano da faculdade, tive aula com alguns jornalistas “famosos” e já achei o máximo. Também logo no começo já me inscrevi em uma série de cursos extracurriculares, todos voltados para a área de rádio e TV, tipo “apresentador de telejornal”, “radiojornalismo moderno” e “telejornalismo esportivo”. Esse último, ministrado por um dos meus para sempre ídolos, Elias Awad, foi inesquecível! Descobri ali, no primeiro semestre da faculdade, que entrevistar esportistas e fazer matérias sobre jogos e competições era algo que eu realmente amava e, segundo os professores, tinha o dom pra fazer. Comecei ali uma trajetória que durou mais ou menos dois anos focando nessa área. Meu primeiro estágio foi numa assessoria de imprensa que cobria times e jogadores de vôlei e basquete. Depois passei por outros lugares que não tinham a ver com esporte, mas continuava fazendo cursos para me aprimorar. E foi num deles, “radiojornalismo esportivo”, com Alberto Chammas (outro profissional maravilhoso), que ganhei meu maior presente: uma carteirinha da ACEESP – Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo. O Chammas tinha um programa na hora do almoço numa rádio e, nesse curso, escolheu os melhores alunos para terem a carteirinha e poderem ir para os campos de futebol cobrirem os jogos e depois fazerem pequenas matérias para o programa dele.

CARA, COMO FUI FELIZ ALI! Todo domingo e quarta-feira ia pro estádio, ficava lado a lado com os mais importantes jornalistas esportivos, entrevistava todos os jogadores que queria, assistia de camarote – literalmente – as finais de campeonatos, incluindo, claro, muitas vitórias do meu Timão! Depois, em casa, com meu gravadorzinho cheio de depoimentos, escrevia cabeças, pontes (jornalistas entenderão) e mandava as materiazinhas pro Chammas colocar no programa. Eu trabalhava na Fiesp nessa época, e, confesso: me escondia no banheiro na hora do programa pra ouvir minha própria matéria sair na rádio, hahaha. Quanto privilégio, quanta emoção, quanto aprendizado, como me realizava naquilo. “Mas, Julie, então por que você não seguiu nessa carreira”, você pode estar imaginando. Bom, isso tudo aconteceu entre 1999 e 2001, e se hoje as mulheres ainda hoje são minoria cobrindo futebol, consegue imaginar naquela época? Consegue imaginar que NINGUÉM acreditava que eu realmente estava ali pelo futebol, não para “arranjar marido”? Eu já namorava com o meu primeiro marido na época, ficamos noivos nesse interim, e não era nada fácil me desvencilhar de cantadas, convites, propostas. De todos os tipos, de pessoas de todos os escalões… Prefiro nem falar tanto disso, me deixa triste. Porque eu não tinha na época “peito” suficiente pra encarar isso tudo, e foi por essa razão que desisti. Na verdade ainda fiz mais uma tentativa de não sair do futebol: mandei meu currículo (POR CORREIO!!! – velhaaaa, kkkk) para a Federação Paulista de Futebol. E qual não foi minha surpresa ao ser chamada para uma entrevista e, chegando lá, ser entrevistada pelo próprio Dr. Farah – presidente da FPF à época, ícone do futebol paulista e nome frequentemente citado no estádio (se você tem mais de 30 e curtia futebol nessa época sabe de qual grito estou falando). Enfim, na semana seguinte, lá estava eu, trabalhando no reduto do futebol. Mas também não foi fácil, também sofri alguns preconceitos, duvidavam das minhas intenções e talentos, e não durou mais que dois anos. Mas foi especial demais!

Foi quando me casei que virei a página, esqueci de vez o futebol e parti para outras áreas do jornalismo. E aí, meus amigos, dizer que fiz de tudo um pouco NÃO é exagero. De comunicação interna para uma locadora de carros a textos para um blog de banco, passando por revista de fofoca e jornal de economia, a jornada foi, digamos, eclética, rs. E culminou na Revista FLASH, do Amaury Jr., que era nada menos que uma Caras de caras ainda mais caros, rs. Ali também vivi uma fase especial. Primeiro pelos amigos que fiz no caminho, alguns queridíssimos e que estão perto até hoje! Segundo pelas oportunidades incríveis que tive. Coberturas de shows, eventos e festas de novelas, viagens a trabalho para lugares paradisíacos e o mais emocionante de tudo, encontro com ídolos meus. Um dos mais especiais deles foi esse aqui, quando pude entrevistar a Sandy, minha cantora preferida e ídola mirim-teen-adulta e pra sempre, amém! Kkkkkk!

 

Uma nova fase…

Depois da Flash, passei por outros veículos de assuntos também bastante variados, até ficar por vários anos em uma editora na qual escrevia novamente sobre o mercado de luxo. Pela Revista LOOk!, tive igualmente oportunidades incríveis, de viagens, de cobertura de eventos bacanérrimos e de entrevistar ídolos (Djavan foi um deles!!!). Mas quando engravidei, em 2008, já sabia que não queria continuar naquele ritmo, trabalhando fora, cobrindo eventos de noite, viajando. Aí que a guinada depois do João foi total. Abri minha própria empresa, a TopTexto, e passei a trabalhar de casa oferecendo os serviços de redação e de revisão de texto (algo que comecei a fazer depois da pós-graduação em Língua Portuguesa e um outro curso de especialização, e curti bastante). Mas, a partir de então, acho que posso dizer que foram poucas as vezes que “me senti jornalista” assim como me sentia lá no começo da carreira. Cheguei a trabalhar escrevendo matérias para vários veículos, mais uma vez com temas bem variados – turismo, carros, esqui, combate ao câncer, estética… –, mas não era a mesma coisa. O momento, desde então, que mais me realizou como jornalista certamente foi quando pude fazer um dos melhores trabalhos da minha vida: ser repórter de variedades para o Programa Ao Cubo! Um programa de TV incrível criado e dirigido por um GRANDE amigo, ele ficou no ar durante quase um ano na TV Aparecida, e foi maravilhoso ser repórter deles nesse tempo, fazendo matérias de curiosidades, entrevistas, vivendo o jornalismo puro, informativo, descontraído, DELICIOSO! Esta matéria que fiz para um dos episódios foi uma das mais divertidas:

 

Ai, ai, sai até uma lagriminha ao rever e me lembrar… 😥 Mas o programa (infelizMUITOmente) acabou, e, como estava em um momento de mudança na vida (da capital para o interior), acabei também não focando em permanecer na TV de alguma forma – apesar de saber que ainda volto pra ela um dia! Continuei, então, nas redações, revisões e traduções de textos para a TopTexto, que já está consolidada no mercado, tem clientes bacanas, muitos deles meus amigos. Mas a parte mais bem-sucedida dela é a de revisão, que também não me realiza 100% como profissional. Eu gosto, ADORO encontrar os erros em textos e corrigi-los, perceber que depois da minha revisão o português de um livro, uma revista, uma tese etc. ficou mais correto, sem aqueles assassinatos gramaticais ou mesmo as pequenas falhas de digitação, me dá prazer! Mas não me realiza, não é o suficiente para eu terminar o dia com um “uau, que trabalho delicioso fiz hoje!”. Se você já leu o primeiro post da minha Vida de Cozinheira, “Eu cozinho bem, obrigada!”, sabe que atualmente eu divido a minha semana de trabalho entre o computador e a cozinha. Mas, ainda assim, escrever estava me fazendo falta.

E TCHARAN! Aqui estou eu descarregando neste blog não apenas minhaS vidaS, meus pensamentos, dúvidas, experiências, alegrias, tristezas, sonhos, decepções, mas também a saudade de escrever, de construir belos textos, de usar metáforas nas explicações, enfim, de exercer o dom da escrita, que certamente Deus me deu! Onde esse blog vai me levar como jornalista? Não sei. Planejo algumas coisas, sonho outras, desisto de algumas, replanejo mais. Ainda quero fazer vídeos, pra somar a isso tudo meu amor pelo claquete-gravando. Quem sabe também entrevistas com personalidades igualmente índigo (a Paula Abreu lidera a top list, certeza!), com minha própria família e amigos, com meus ídolos, com ex-chefes meus? São várias as minhas ideias, rs, mas por enquanto ainda não sei quais entrarão em prática e quando! E, como índigo, nem vou me preocupar em decidir agora. Por enquanto, vou “deixando o blog me levar”, as coisas acontecerem e, por que não (????), a sua sugestão chegar! Então, me escreve, diga como eu deveria usar meus dotes jornalísticos por aqui, o que gostaria de ver a Julie jornalista fazer. Seu desejo será uma pauta! 😉

4 comentários em “Várias jornalistas em uma só

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  1. Gostei demais Julie! Nunca tinha visto em detalhes uma matéria sobre o funcionamento da rádio JP. Vc é bastante talentosa no que faz. Desde ontem li tudo que vc escreveu até aqui. Deve ter mais e vou continuar!!!! Parabéns e obrigada pela oportunidade de aprender. Nunca tinha ouvido aos meus 62 anos falar sobre índigo!!! Valeu! Saudade da sua facilidade com o coro municipal!!!!❤️🌺

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    1. Oiii, Fabiola! Não tinha visto antes seu comentário aqui, mas que bom saber que o blog te interessou e nos aproximamos no papo por causa disso! Saudade também de cantar com vcs todos, e das nossas risadas e descontração! Beijo grande e seguiremos conectadas! 🙂

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